Correio da Beira Serra

 “A equipa sénior vai lutar para subir à II Divisão…”

O coordenador técnico do OH Sports, António Gaspar, lamenta que “hoje em dia, o trabalho dentro de campo não seja suficiente para se atingirem os objectivos”. Mas a equipa, ao fim de seis jogos, soma seis vitórias e lidera a Zona Norte “B” da III Divisão.

 O OH Sports, depois de se sagrar campeão nacional de sub-23, vai tentar este ano a promoção à II Divisão que na época passada ficou muito perto de acontecer. A época não podia arrancar da melhor forma. A equipa soma seis vitórias em outras tantas partidas, partilhando, com 18 pontos, o primeiro lugar da sua série com o HC Mealhada e o SC Leiria Marrazes, estes, porém, com mais um jogo e uma derrota cada.  Um dos responsáveis por este êxito é o coordenador de todo o hóquei no clube António Gaspar que ingressou no ano passado no clube e alterou métodos de trabalho e incutiu vontade de vencer em todos os elementos do emblema que acabava de se emancipar do FC Oliveira do Hospital. António Gaspar, de 65 anos, passou muito tempo no basquetebol, mas também se distinguiu pelo trabalho nas selecções nacionais de hóquei em patins e em vários clubes espalhados pelo mundo, como a Argentina ou a Austrália. Antes de rumar a Oliveira do Hospital tinha passado 12 anos em Angola. “Um ano depois, posso dizer que já sou oliveirense”, diz em entrevista ao CBS.

 CBS – Depois de sagrarem campeões nacionais sub-23 e de falarem por muito pouco a subida à II Divisão, quais são os objectivos para esta temporada?

António Gaspar – Vamos tentar fazer melhor em termos de seniores. Se no ano passado ficámos em terceiros, esta época temos de ficar em segundos ou primeiros. A primeira posição dá acesso directo à II Divisão e o segundo permite o acesso a uma liguilha, na qual quatro clubes vão discutir dois lugares e a subida. Implicitamente, o objectivo da equipa sénior é assumidamente subir de divisão.  Se o vamos conseguir? Vamos ver. No ano passado não conseguimos controlar todas as vertentes do jogo. Conseguimos controlar dentro de campo, onde fomos a equipa com menos derrotas, fomos a equipa com mais golos marcados, com 100 ou mais de diferença entre marcados e sofridos, tivemos o sétimo melhor marcador da Europa de todos os campeonatos, fomos a equipa que primeiro chegou aos 100 golos em provas oficiais. Portanto, as vertentes do jogo controlámos, só que hoje em dia, infelizmente, não é só pelo que se faz dentro de campo que se atingem os objectivos. Não vamos fazer disto um cavalo de batalha, mas quando faltarem cinco jornadas para o fim queremos estar numa posição em que dependamos só de nós para atingir os objectivos.

E a nível de sub-23?

A equipa no ano passado surgiu para dar resposta a um leque de jogadores sub-19, portanto juniores, que não chegavam para formar uma equipa. Decidimos subi-los a sub-23 e constituir uma formação juntamente com alguns atletas da equipa sénior, da qual apenas dois não podiam representar esta formação. A ideia era dar competitividade a estes atletas, não enjeitando tudo o que daí resultasse. Fomos para o Campeonato Regional e ganhámos. Fomos para o Campeonato Nacional e a três jornadas do fim estávamos em primeiro e já ninguém nos podia superar. Este ano, vamos entrar em campo com o escudo de campeão nacional na camisola e vamos defender esse título. A espinha dorsal da equipa sub-23 está cá. Agora ainda não sabemos se a vamos utilizar da mesma forma, obrigando muitos dos atletas a fazerem dois jogos em cada fim-de-semana. Temos de ver.

Como é que veio parar ao OH Sports?

Comecei por ter contactos em 2018, quando dois atletas angolanos me disseram que vinham para Oliveira do Hospital. Tratei de saber a razão de eles serem convidados para aqui. Os contactos mantiveram-se e em 2022 falaram-me que iriam mudar de treinador e perguntaram se eu podia ajudar. Questionei se poderia ir para a fila. Acabámos por chegar a acordo e a única condição que coloquei foi que teria de ser o coordenador de todo o hóquei do clube. Aceitaram a minha proposta e o meu projecto. E no primeiro ano fomos campeões nacionais de sub-23 e os seniores, que no ano anterior tinham lutado pelo nono lugar, terminaram, praticamente com a mesma equipa, na terceira posição e a um passo da subida à II Divisão. Neste momento posso dizer que já sou oliveirense.

A que é que se deve esse sucesso?

Muito trabalho. As outras equipas treinam três dias por semana, nós treinamos cinco. O sucesso vem com muito trabalho e método. E este clube tem uma direcção com um projecto e que sabe para onde quer ir.

Este ano a equipa sénior foi reforçada?

Sim. Saiu um guarda-redes e um avançado e fomos buscar dois guarda-redes e dois avançados. Os guarda-redes, um é internacional chileno e outro internacional angolano e os avançados, um é português e outro angolano. Os angolanos vêm no âmbito de um protocolo que assinamos com a Federação daquele país. Trata-se do guarda-redes, Wilson Alexandre, que é o titular da selecção que foi recentemente campeã africana, e o avançado, o Fábio Faria, também faz parte dessa selecção, juntamente com o Josemar Tavares, também conhecido como o Zidane do hóquei, que era um dos dois angolanos que já cá estavam, e o Alfredo Pinto, que representou os sub-20 de Angola. O facto de eu ter estado tanto tempo em Angola, muitos eram meus jogadores, outros eram adversários e conhecia-os bem. Veio também , o Bruno Caniceiro que jogava em França.

“…se queremos ser competitivos, temos de formar os jogadores e isso leva tempo…”

Mas esse protocolo com Angola é mais amplo… Como é que surgiu?

Foi um pouco fruto desta minha ligação com Angola. Eles têm aqui apoio ao nível técnico, poderemos receber jogadores, técnicos e dirigentes para fazerem estágios. Há também parcerias relativamente a material e deslocações. Portanto, Angola passa a ter uma base na Europa, mais precisamente em Oliveira do Hospital. A expressão visível, para já, é que temos quatro angolanos na equipa.

Como é que uma equipa do interior consegue atrair jogadores estrangeiros?

É mais fácil e mais barato ir buscar jogadores estrangeiros que contratar portugueses. Os atletas nacionais dificilmente ficam em Oliveira do Hospital. Exigem mundos e fundos para virem para cá. Mas os estrangeiros, sendo mais baratos, não são baratos. Portanto, se queremos ser competitivos, temos de formar os jogadores e isso leva tempo. Entretanto, vamos ao exterior.

O clube tem mesmo apostado em a atrair os mais pequeninos para a modalidade…

Há todo um trabalho a ser desenvolvido nos vários escalões de formação, dos sub-7 aos sub-17. Temos também um projecto que é o crescer sobre rodas, em que vamos às escolas e aos jardins de infância. No ano passado, conseguimos mesmo entrar na área curricular de educação física do quinto ano, porque as provas de aferição nacionais tinham a componente da patinagem. E nós íamos dar patinagem a esses miúdos e descobrimos que todas as escolas tinham patins. Fruto de toda essa dinâmica, no ano passado crescemos muito em sub-7, sub-9 e sub-11.

Que impacto é que teve no clube o título de sub-23?

Passámos a ter mais público e mais público jovem a ver os jogos. Esta época tivemos aqui um jogo de sub-17 com a Académica, um derby regional, e, pelo que me disseram, nunca houve tanta gente a ver um jogo daquele escalão. O número de atletas também está a crescer. Há uma maior procura, mas não temos números concretos. Aqui não se paga nada e ainda fornecemos o material, porque sabemos que não é fácil adquirir uns patins e o restante equipamento. E procuramos inovar. Por exemplo, agora vamos ter “o dia do amigo”, em que os atletas sub-7, sub-9 e sub-11 têm de trazer um amigo que não tenha feito patinagem que irá participar no treino com ele. É uma forma de cativar mais jovens.

Quantos atletas existem neste momento no OH Sports?

Devemos ter à volta de 75 atletas ao nível do hóquei em patins. Depois há a patinagem e aí, este ano, houve um incremento muito grande.

E o hóquei feminino?

É natural os rapazes irem para o hóquei e as meninas para a patinagem artística. Mesmo assim, e a começar este ano, queremos construir uma equipa feminina em duas temporadas. Já temos uma guarda-redes com 16 anos e quatro miúdas de campo abaixo dos 16 anos. Elas, porque a lei o permite, estão a jogar nas equipas masculinas.

Este é um clube de formação?

Este é um clube de formação e não pode ser encarado de outra forma. Não pode pensar de outra forma por tudo e mais a agravante de estar na província.  Vai continuar a ser assim.

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