O anterior presidente da Câmara gastou milhões de euros para colocar Oliveira do Hospital no mapa. Não o conseguiu. Agora, José Carlos Alexandrino acabou por atingir esse objectivo, com o nome do concelho a ser nestes últimos dias notícia lá fora lamentavelmente pelos piores motivos, motivos que envergonham os oliveirenses, precisamente devido à inactividade da autarquia, da sua própria inércia e paralisia daqueles que se lhe seguiram. Os responsáveis locais fizeram orelhas moucas às queixas dos vizinhos daqueles que se instalaram no concelho e dizem ser um reino autónomo, independe de Portugal, com capacidade para cunhar morada, emitir passaportes, ignorando a constituição portuguesa. Como se nada fosse. As queixas e denuncias de várias irregularidades foram muitas e aconteceram em várias reuniões públicas de Câmara.
Estamos a falar do Reino do Pineal. Uma comunidade que durante três anos, chegaram em 2020, viveram com total impunidade na Freguesia do Seixo da Beira, sem olharem às leis nacionais e Constituição Portuguesa, sem que autoridades locais, desde a Câmara Municipal, da CPCJ ou Junta de Freguesia, tomassem uma acção efectiva. A morte de uma criança que não estava registada, nem teve certidão de óbito, a par de todas as outras irregularidades, colocaram o assunto nas primeiras páginas. Por cá e lá fora. Lamentável.
Lamento que Oliveira do Hospital ande nas bocas do mundo por estas razões. É triste que as autoridades locais, que numa primeira linha era quem devia actuar, não tenham feito o seu trabalho e obrigado a cumprir a lei. Ainda por cima quando era público que as crianças não iam à escola, nem tinham médico. Não eram registadas. Em bom rigor, provavelmente ninguém sabe quem é o pais já que o grupo, contrariando a lei nacional, vive em poligamia. Incrível esta cegueira de quem tem responsabilidades.
E será que as autoridades do poder central foram atempadamente avisadas? José Francisco Rolo deve-nos essas explicações e o agora presidente da Assembleia Municipal e deputado da nação, por maioria de razões, também, porque, pelas funções que desempenha, José Carlos Alexandrino, tinha razões acrescidas para conhecer a Constituição e a Lei Portuguesa e ter actuado. Se não as conhece, não está obviamente capacitado para exercer qualquer cargo de responsabilidade.
Este pais quer receber pessoas. Precisa de receber pessoas. Mas gente de bem. Que venha com vontade de trabalhar e de se integrar na sociedade. Não pode é ser um local onde se estabeleça quem não quer cumprir a lei, fazendo o que muito bem entende.
Temos uma história longa. Os lusitanos defenderam este território… e agora estamos a perder a nossa identidade, a nossa história. Não temos uma democracia a sério. Não sei se é devido a ignorância ou irresponsabilidade. Mas importa saber onde estamos e para onde vamos.
Autor: Fernando Tavares Pereira
