Correio da Beira Serra

“A minha preocupação já não é criar empresas, é que o tecido empresarial se mantenha”

 

… alguns empresários “delapidarem património para segurarem postos de trabalho”.

Numa tertúlia onde o ex ministro da Economia, Vieira da Silva, alertou para a necessidade de o tecido empresarial português se distinguir no exterior pela inovação e chamou a atenção para os perigos decorrentes das medidas de austeridade e da especulação financeira, o presidente da Câmara Municipal partilhou das mesmas preocupações, mas revelou-se sobretudo angustiado com os efeitos negativos que a atual conjuntura está a provocar junto do tecido empresarial local.

“A minha preocupação já não é criar empresas novas”, afirmou José Carlos Alexandrino mostrando-se mais preocupado em manter o tecido empresarial que, em Oliveira do Hospital, continua a resistir ao atual momento de aflição.

O presidente da Câmara Municipal que não se poupa nos elogios aos empresários locais, que em vários setores como as confeções, carnes, madeiras e produtos endógenos, têm “um volume de exportação muito grande”, alerta para a atenção reduzida que o Estado tem canalizado aos empresários do concelho.

“Precisamos de algumas medidas e que nos acabem o IC6 e o IC7”, referiu Alexandrino, alertando para o facto de os empresários locais terem que recorrer a outras vias para manterem as suas unidades produtivas.

“Oliveira do Hospital tem aqui um conjunto de empresários que eu vejo a delapidar património para segurar postos de trabalho”, afirmou o autarca, considerando determinante que o Estado avance com “importantes medidas que facilitem a ida de empresários à banca”.

O presidente da Câmara que frequentemente se confessa angustiado com o drama de alguns oliveirenses que às quartas feiras acorrem ao seu gabinete, voltou a revelar que o que mais o “aflige” é “perceber que os jovens querem trabalhar e está tudo fechado”.

“O país está parado”, constatou Alexandrino, comungando assim daquela que foi a dura intervenção do socialista António Campos, entendendo por isso que “é preciso que o PS denuncie isto e não se acobarde porque assinou compromisso com a Troika”.

O autarca aludiu também ao problema da “especulação financeira” e chegou mesmo a desafiar o PS a “dizer quem é que foram os ladrões deste país”, quando se referia em concreto ao caso BPN. “Foi uma fatura demasiado pesada para o país”, concluiu.

Exit mobile version