Correio da Beira Serra

A viagem do Elefante autárquico. Autor: Carlos Martelo

De alguma forma este título condensa uma alegoria metafórica, que Saramago já ficcionou, a propósito da tal viagem, vamos dizer em estilo antropológica, do Elefante quando este entende que chegou ao fim do seu «prazo de validade» ou quando para isso o empurram.

Saliente-se que o Elefante é um animal não só de grande porte mas também de grande dignidade e valor, abençoado por Deus e pela Natureza.  Viva  o Elefante!

Mário Alves encena ato «rebelde» na tomada de posse.

 Li em alguma comunicação social, e até há por lá um vídeo alusivo, sobre aquela cena inesperada, nas cerimónias, a 31de Outubro passado, de tomada de posse e de instalação da nova Assembleia Municipal e do novo Executivo Municipal de Oliveira do Hospital. Cena em que o recém-eleito deputado municipal (pelo PSD) Prof. Mário Alves entendeu não cumprimentar toda a Mesa da sessão onde, naturalmente, pontificavam o Prof. José Carlos Alexandrino – que veio a ser de novo eleito presidente da Assembleia Municipal – e o Dr. Francisco Rolo – de novo presidente da Câmara Municipal.

Pelos vistos, esta «rebeldia» do Prof. Mário Alves foi um ato muito notado e logo o mais mediatizado de toda a sessão e que mais nenhum dos recém-eleitos também praticou. Ato inusitado portanto para não lhe chamar de desadequado, ademais praticado por um ex-cabeça de lista (PSD) à Assembleia Municipal nestas eleições de 12 de Outubro.

Vendo o correspondente vídeo, se pode constatar a passagem por trás da Mesa e com laivos de alguma altivez – não, não a considero arrogante – ato que Mário Alves assumiu e em que não cumprimentou os dois máximos autarcas do Município que de certo lhe seguiam expetantes um tal movimento.

E é essa postura, daquele protagonista em concreto, naquela circunstância especial, que me trás à ideia a tal viagem do Elefante. No caso, Ele passa andando lento mas certo. Sem hesitar todavia. E prossegue sem também ressentir as reações adversas da plateia presente. E terá mesmo pensado: «pois fiquem-se com os vossos presidentes que eu fico comigo próprio».

No ato em apreço, também não lhe diagnostico ressabiamento mas mais inconformismo político e institucional.

Entretanto, alguns dos seus companheiros de partido (PSD) agora é que já «afiam as facas» para um ajuste de contas final com Mário Alves. Para o arrumarem politicamente dentro dos escombros partidários do PSD em Oliveira do Hospital…

Aliás, Alexandrino devolveu-lhe, logo de seguida, um golpe duro quando, ao fazer o seu juramento de tomada de posse, completou as frases regimentais com um: «…e respeitar os adversários». Um aditamento «alexandrino» ao protocolo…

Na Assembleia Municipal, Mário Alves fará assumida «oposição».

Porém, esperemos que Mário Alves vá mesmo assumir o seu mandato na Assembleia Municipal. Pelo seu perfil, vai aí potenciar a capacidade do seu partido em fazer uma oposição mais assumida às maiorias absolutas do PS nas autarquias em Oliveira do Hospital.  Tem arcaboiço para isso, embora também seja duvidoso que venha a ser acompanhado na missão, pelo menos convitamente, pelos seus companheiros deputados municipais para já não falar dos dois eleitos pelo PSD no Executivo da Câmara Municipal.

Então, se assim for, se Mário Alves se dispuser a isso e o deixarem, nem perderá o PSD nem perderá o Município.

 

 

 

Carlos Martelo

 

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