
Este é, pelo menos, o receio do britânico que por esta altura só consegue aceder à sua propriedade – onde já instalou 30 esculturas de grandes dimensões, construiu dois lagos e uma vivenda rodeada de gigantescos jardins – de jipe.
O britânico que, no início do novo milénio, decidiu reproduzir em Portugal, de forma triplicada, o jardim que tinha em Bury, Manchester, não se conforma com o modo como estão a decorrer os trabalhos para a instalação do saneamento básico nas vizinhas localidades de Loureiro e Vila Nova de Oliveirinha, onde as estradas apresentam grandes fissuras e chega a ser impossível o cruzamento de duas viaturas em alguns locais.
O cenário é, contudo, ainda pior na proximidade da quinta de John Walker, onde o excesso de lama impede a circulação de viaturas normais.
“Aqui o caminho sempre foi em terra batida, mas só deu problemas desde que andaram a abrir as valas”, afirmou John Walker ao correiodabeiraserra.com, adiantando que já se dirigiu à Junta de Freguesia de Covas e à Câmara Municipal de Tábua para se queixar do problema, mas “ainda ninguém fez nada”.
“Sinto que se as pessoas vierem agora, não voltam mais”
“Vão pensar que Portugal é um país do terceiro mundo”, lamentou, considerando que “não é justo” que tenha que ser ele a pagar a uma empresa para arranjar os acessos ao parque.
“Não estamos num país africano”, continuou, referindo que na localidade de Loureiro “as obras foram feitas no Verão e os trabalhadores apenas taparam os buracos, mas não arranjaram a estrada”.
“Sinto que se as pessoas vierem agora, não voltam mais”, desabafou o investidor que, aos 60 anos optou por trocar Inglaterra por Portugal. “Esta é uma bonita área no Centro de Portugal e estou a proporcionar às pessoas a oportunidade de a poderem conhecer”, disse, estimando que, depois da inauguração, o parque possa receber cinco mil visitas por ano.
Iniciado em meados de 2008, o Parque de Esculturas da Bobadela é composto por um conjunto de esculturas de animais, arquitectura moderna e rostos humanos.
No entanto, entre o espólio do coleccionador que se confessa aficionado por leões, encontram-se cinco esculturas da autoria do viseense Luís Queimadela, sendo que duas foram produzidas especialmente para John Walker e, as restantes três integraram a exposição que o escultor apresentou na cidade de Oliveira do Hospital.
Já a habitar com a esposa na residência que construiu, John Walker não pretende tornar a quinta num espaço público. “As pessoas vêm por convite ou prévia marcação com o objectivo de apreciarem o meu jardim”, explicou, contando que o seu principal público-alvo é a comunidade escolar. As entradas no parque – cada acesso deverá custar cerca de 6 Euros – irão privilegiar grupos que se desloquem à quinta de autocarro.
Autarca de Covas responsabiliza Walker pela contínua degradação dos acessos
Embora tenha consciência do mau estado em que se encontram as estradas que atravessam Loureiro e Vila Nova de Oliveirinha, a presidente da Junta de Freguesia de Covas não deixa de responsabilizar o investidor britânico pela degradação contínua das mesmas.
“O senhor também passa lá com camiões pesados e se as terras estavam moles, pioraram”, referiu a este diário digital Fernanda Cabral, que garantiu que na semana passada descarregou no caminho mais próximo da quinta um “camião de pedra e um camião de touvenant”.
Sem conseguir prever uma data para a conclusão dos trabalhos de saneamento básico, Fernanda Cabral lamenta que a situação da estrada piore quanto maior for o período de chuvas e, quanto maior for a circulação de pesados na direcção da quinta de John Walker.
A autarca lembra que os trabalhos, que estão a ser feitos, são de extrema importância para as populações e que é necessário alguma compreensão. Apesar de também responsabilizar John Walker, Fernanda Cabral reconhece a importância do projecto do investidor inglês quer para o município de Oliveira do Hospital, quer para o de Tábua.
Este diário digital tentou chegar à fala com o presidente da Câmara Municipal de Tábua, mas até agora ainda não foi possível.
