«Do rio que tudo arrasta – se diz que é violento – mas ninguém diz violentas – as causas que o poluem!».
E são mesmo «violentas» as principais causas da continuada poluição dos nossos Rios e Riachos. Só comparáveis em impacto negativo à também continuada e já indesculpável falta de capacidade em lhes pôr cobro, revelada pelas Entidades da tutela, das Câmaras Municipais e outras Autarquias, ao Ministério do Ambiente, ao Ministério da Agricultura e das Florestas, ao Ministério da Coesão Territorial, em suma aos vários Governos que se têm sucedido, uns atrás dos outros e outros atrás dos uns a «poluírem» a política nacional e as nossas vidas. Isto até parece acontecer por castigo dos deuses…
Já por aqui ouvi dizer que «a água também se planta» o que nos remete para a muito prejudicial falta de reflorestação ordenada das vastas áreas ardidas, sobretudo em 2017. Não havendo árvores, e como bem se sabe, o «ciclo da água» é seriamente perturbado ou mesmo interrompido, incluindo a nível da (falta de) humidade atmosférica.
Mas, no imediato, também se agrava bastante a erosão de terras e vertentes que com as chuvadas «escorrem» sem parar para vales e leitos dos rios e mais ainda para os rios ditos «de montanha», com vertentes muito acentuadas, como nos casos do Alva e do Alvoco, para já não falar do Rio Seia e do Mondego Médio.
Essa erosão foi brutalmente acelerada com os incêndios florestais. Estes também deixaram resíduos de vários tipos como cinzas e restos de plantas queimadas. As chuvadas, «metodicamente», não param de arrastar tudo isso até parar e se amontoar no fundo dos leitos e «colorir» de cor muito escura a água de rios e linhas de água nomeadamente onde esta mais se acumula. É uma dor de alma que também pode afectar o físico a quem lá mergulhar…
Os caudais de Inverno não bastam para limpar tudo isso. E lá se foram as muito badaladas, quando as havia, «Bandeiras Azuis» das praias fluviais no concelho de Oliveira do Hospital. Enfim, lá «conseguem» ir recuperando as infra-estruturas da «Ilha do Picoto», em Avô, cujas sucessivas despesas de recuperação a tornam em praia fluvial quase «de luxo» mas a que o caudal invernoso do Rio Alva não dá descanso…
Sim, recuperar as «Bandeiras Azuis» das praias fluviais, bem como a transparência das águas e a brancura do fundo dos leitos dos nossos Rios – e há rios e riachos a atravessar toda a área do nosso Concelho – isso implica reflorestar, com muito critério, as vertentes e os planaltos onde encaixam esses rios assim como as margens que os definem ! É uma tarefa difícil, sem dúvida, mas também é estratégica, mesmo vital ! Sim, o Futuro passa por aí mas é preciso construí-lo já hoje ! E este objectivo tem que ser muito, muito mais que um «slogan» eleitoral a que se tira o pó de 4 em 4 anos…
Haja uma maior e mais sistemática intervenção prática ! Veja-se e ouça-se natureza e vida a reclamarem-na !
No que toca à imigração, mais do que ralhar é preciso pensar e conversar
A agitação e o desassossego reinam entre nós a pretexto dos imigrantes e repercutem outros discursos e situações onde a desinformação organizada e pré-concebida também impera.
De facto, somos um país de emigrantes, mas que, aliás, começou por «importar» habitantes era ainda um «condado» e onde, depois, até houve um Rei que passou para a história como «D. Sancho I – O Povoador» tendo ele recrutado, lá fora, muitos imigrantes para o efeito. E nós também somos o que é a nossa história apesar das «confusões» que, entretanto, nos possam atrapalhar. Enfim, precisamos limpar essas confusões, aliás premeditadas, em vez de sucumbirmos a elas! Estamos nessa fase agora mesmo.
Sobre a imigração grassa a mentira e a desinformação mais abjectas – os dados sobre a imigração são grosseiramente manipulados e os imigrantes são acusados de ter a culpa de quase tudo o que de mau acontece ou possa acontecer – e isto sem ignorar problemas reais, sobretudo de registo e integração dos imigrantes, problemas que é necessário resolver. Mas «o seu a seu dono» e cada coisa no seu devido lugar, sem alarmismos…
De facto, há por aí uns «artistas», dos engravatados e bem-falantes, cuja tola só ia humanizar-se caso lhes aplicassem um estágio que fosse viver durante um anito como vivem milhares de imigrantes. Ai sim, como isso lhes está a fazer falta e como lhes faria bem à tola perversa que têm!
Por exemplo, àquele mau exemplo do «artista» que ocupa o cargo de presidente da Câmara Municipal de Loures e se entretém a derrubar as casotas que albergam (mal ou bem) dezenas e dezenas de seres humanos com direito a serem tratados como tal e não como animas selvagens ou perigosos. Esse elemento, aliás como outros do tipo, exibem os seus maus sentimentos nesta matéria a pensar nos votos eleitorais que isso lhes poderá trazer…tendo exactamente em conta as narrativas pervertidas que por aí põem a correr. É dramático senão trágico! Não se pode permitir!
Autor: Carlos Martelo
