Localidade do concelho de Santa Comba Dão realiza três torneios por ano do popular jogo de cartas… o próximo é em Fevereiro de 2025…
A pacata aldeia de Chamadouro, na freguesia de Óvoa, no concelho de Santa Comba Dão, vê aumentar, três vezes por ano, de forma inusitada, o movimento nas suas ruas. A razão prende-se com um evento que se transformou em tradição: o torneio de sueca, organizado pela Associação Cultural Desportiva e Recreativa do Chamadouro (ACDRC), que atrai dezenas de jogadores provenientes do Norte ao Sul do País. Os prémios também são invulgares: três porcos inteiros, provenientes de um fornecedor de Meruje, terra com fama na área, no concelho de Oliveira do Hospital. A 62ª edição do evento decorreu a 13 de Outubro e participaram 58 equipas, num total de 116 jogadores. E a Associação Juvenil Chamadouro já está a promover o 63º torneio que deverá ocorrer a 16 de Fevereiro de 2025.
Os amantes da sueca vieram de localidades tão diversas como Pombal, Oliveira do Hospital, Vila Nova de Poiares, Mortágua, Coimbra, Santa Comba Dão, Aveiro, Albergaria-a-Velha, Aguiar da Beira, Porto de Mós, Matosinhos, Alcobaça, Oliveira de Azeméis, Miranda do Corvo, Figueira da Foz, Condeixa, Montemor-o-Velho, Arganil, Seia, Tomar, Batalha, Ovar, Leiria, Abrantes, Anadia, Alvaiázere, Penalva do Castelo, Ferreira do Zêzere, Viseu, Oliveira de Frades, Penacova, Águeda, e ainda Aveiro e Porto. Destas últimas localidades vieram os dois jogadores que acabaram por superar toda a concorrência e arrecadar o 1º lugar.
A competição começou a ganhar fama e agora, segundo um dos responsáveis pela organização, é um acontecimento que faz mexer a economia da freguesia. “Já chegámos a ter aqui 70 equipas, ou seja, 140 jogadores, mais as pessoas que os acompanham. É muita gente para uma aldeia com cerca de 80 habitantes permanentes”, refere o presidente da ACDRC, António Santos, assegurando que este torneio superou as expectativas, pois contavam apenas com 50 equipas. Apareceram 58.
A aldeia ganhou uma nova vida. Desde as primeiras horas da manhã, a localidade de Chamadouro encheu-se de gente, alegria e boa disposição. O secretariado abriu portas antes das 8h00 e rapidamente os participantes começaram a chegar, prontos para a acção. Os jogos decorreram com a normalidade habitual, evidenciando não só a habilidade e estratégia das equipas, mas também um espírito de camaradagem que caracterizou todo o torneio. Durante a manhã, cada equipa participou em três rounds, totalizando 45 jogos, e a adrenalina só aumentou com a aproximação da tarde.
Para recarregar as energias, as senhoras de Chamadouro, com a ajuda de voluntários locais, prepararam um autêntico manjar: os famosos Torresmos Beirões, que deliciaram todos os presentes. O torneio continuou à tarde com mais dois rounds, elevando o total a 75 jogos e mantendo o entusiasmo em alta. A entrega de prémios, realizada às 16h30, foi o momento alto do dia. Os vencedores foram agraciados com uma selecção de troféus, incluindo três porcos inteiros, dois presuntos, duas pás de porco, duas barrigas de porco, dois vãos de costelas, uma cabeça de porco, duas garrafas de vinho e duas chouriças, todos simbolizando a riqueza da gastronomia local. Além disso, todos os participantes receberam uma garrafa de vinho alusiva ao evento, como recordação do torneio.
O evento, recorda António Santos, começou em 2006, altura em que, na Associação, o jogo da sueca entrava pela noite dentro aos dias de semana e ocupava as tardes de sábado e domingo de muitos adeptos da modalidade. “Havia sempre três ou quatro mesas”, conta um responsável. E foram esses aficionados que lançaram o desafio à direcção da ACDRC para organizar um torneio. No início, nada de muito importante. Como prémio, “um presunto, alguns chouriços e um queijo”. O tempo foi passando, e a prova ganhou fama. Começaram a chegar participantes de todo o país e, do presunto, passou-se para os porcos inteiros.
“Foi de tal forma que, para assinalar a 50ª edição, foram atribuídos como prémios 50 porcos. Tivemos um prejuízo terrível, mas o evento está muito consolidado e valeu a pena”, sublinha o presidente da ACDRC de Chamadouro, cujo pavilhão conta com 60 mesas e capacidade para receber 120 equipas. “Mas a média de formações participantes anda entre as 50 e as 70”, frisa o mesmo responsável, sublinhando que existem cada vez menos jogadores de sueca na localidade.
“Os mais idosos deixaram de poder bater as cartas, foram partindo, e os mais novos estão agarrados às novas tecnologias. Mas o nosso torneio continua a crescer, a chamar novos participantes e mantém uma saúde invejável”, conclui.
