Correio da Beira Serra

Anjinhos fora da “gaiola” em Oliveira do Hospital. Autor: João Dinis, Jano

Como já é bem visível, estão a ser instaladas as “Iluminações de Natal” nas ruas e parques da Cidade. E assim se cumpre uma tradição que as Pessoas, em geral, até apreciam. Fazem bem que somos nós que pagamos a factura… Sim, que é suposto ser a Câmara Municipal a encomendar a tarefa, logo também a pagá-la. Já agora, quanto custará ?

Mas, senhores,  porquê a “gaiola” dos Anjinhos de rua ?

 Hoje, 27 de Novembro, 2024, deparei-me com um quadro das tais “Iluminações de Natal” em Oliveira do Hospital que me espicaçou a imaginação. Porém, dando-lhe motivações menos Bíblico-Natalícias e mais terrenas.

Ao olhar de frente para esse quadro colocado sobre o pavimento ao fundo do Largo Ribeiro do Amaral, logo me  acudiu à ideia a imagem de uma alta gaiola em madeira com a porta aberta e com dois anjinhos, um de cada lado embora estilizados, assim como se tivessem saído da gaiola talvez para se elevarem, em liberdade, num voo angelical…  E se o fizerem, não vão fazer ruído que os anjos, não tendo sexo, têm seguramente umas asas etéreas embora as daqueles anjinhos ali até aparentem ser asinhas muito estáticas e pré-fabricadas… Á noite, piscarão em milhentas luzinhas como se fossem outros tantos “luzecus” electrizados.

Se fosse um sonho, eu seria até capaz de também voar suspenso entre ambos, subindo e descendo por sobre as casas onde habitariam Crianças desfavorecidas, sem luzes dos presépios, sem calor íntimo ou familiar, sem alcançarem o “Espírito de Natal” mas sujeitas, inocentes, a todas as espécies de violência.        E deitaríamos sobre elas “pétalas de flores, leite e mel” como se fossem “prendas de Natal !”.

Sim, voaríamos por sobre Gaza e outras zonas da Palestina por onde andou o Nazareno…  E num repelão imune à aero-dinâmica que só afecta os simples mortais, seguiríamos para a Ucrânia…e por sobre a Rússia… E voaríamos ainda por sobre muitas outras Regiões onde as guerras são a prova de que os deuses andam distraídos ou muito zangados com a Humanidade.  Ou que o Diabo afinal manda demasiado por cá na Terra onde é dono de indústrias de armamentos e infiltrou autênticos diabinhos a mandar em muitos governos e governantes…

E rogaríamos à Divina Providência que fizesse descer línguas de fogo (ainda que virtual) por sobre as cabeças dos “senhores das guerras” e de seus servidores para que, súbito, lhes batesse lá dentro (de corpo e alma) o irresistível desejo imbuído da Paz e mais Paz que possa haver ! Sim, “valha-nos Deus” e como suplico por não estar a invocar em vão !

No nosso voo imaginário e quase cósmico, à cautela, voaríamos rápido e com muito cuidado não fosse algum radar bélico tomar-nos por drones inimigos…

Ó maldita realidade deste Mundo, capaz de quebrar o voo da minha mais solene e infantil imaginação !  Nem de “anjinho” me dão hipótese de ser…

“Eu não nasci, apareci”…

Em verdade, temos no “Pinheiro de Natal” uma inspiração íntima e familiar que nos remete para “a família” e também para evocar aquelas e aqueles que não têm família.  Para essas e para esses um forte abraço solidário e os votos da felicidade possível em tais condições.

Mas pronto, na nossa civilização, no âmbito de usos e costumes mais tradicionais, o ambiente da Quadra Natalícia torna-se mais reconfortante com as luzes e suas evocações que, até sem disso se ter apurada percepção, nos situamos no âmbito do Nascimento Bíblico do Deus feito Homem. Reflectindo sobre a História Sagrada, trata-se, quanto a mim, do seu mais belo episódio em torno do nascimento “primeiro (não por ordem cronológica), inteiro e limpo” que do nosso próprio nascimento não nos lembramos nós apesar de o termos gravado na nossa matriz… E esta também é uma componente mitológica que influencia a posição que temos  perante a nossa própria concepção, gestação e nascimento.  Acho mesmo engraçado aquele dito popularizado do “eu não nasci, apareci…” o que remete para a fuga a outras considerações mais íntimas e impregnadas de pudor…

Aliás, tenho para mim como sendo uma extravagância escusada e criticável, a realização de um vídeo pelo homem de um casal meu conhecido, do acto do nascimento (parto natural) de um filho desse casal !… Ao menino que nasceu, ninguém pediu opinião prévia para ser filmado em pleno e violento “acto de despejo” mas a mãe esteve de acordo com a filmagem feita pelo pai. E que farão eles  com um tal vídeo ?  Nunca perguntei aos próprios.  Enfim.

E assim vou terminar que este assunto não deixa de ser sério apesar de também ser susceptível de alcançar foros de brincadeira.

27 de Novembro de 2024

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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