O presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, substituiu hoje a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação na inauguração do novo Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da Associação para a Recuperação de Crianças Inadaptadas de Oliveira do Hospital (ARCIAL).
A ausência de “alguns elementos da equipa governativa” liderada por José Sócrates acabou por valer o reparo do presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que – “sem desprimor pelo presidente do Instituto da Segurança Social”, como frisou – falou da importância de aqueles governantes se deslocarem até à região para “conhecerem algumas realidades”.
“Lamento que o governo não se fizesse representar através, não de um secretário de Estado, mas de um ministro”, chegou a considerar José Carlos Alexandrino.
Em dia de festa, a ausência de ministros não impediu o normal desenrolar da cerimónia de inauguração, que ficou marcada pela importância que representa na vida da Associação, que funcionou durante 30 anos em instalações provisórias.
E foi com base no apoio prestado por este programa – “semelhante ao POLIS ao nível urbano”, como explicou – que Arménio Rodrigues elogiou o primeiro-ministro José Sócrates, observando que se trata de “um político de grandes projectos”.
Reconhecendo que a área de apoio à deficiência foi “abandonada” durante muitos anos, Edmundo Martinho destacou o papel desempenhado pelo PARES na busca de respostas sociais e lembrou que, na apreciação das várias candidaturas, foi sempre tida em conta a preocupação de se combater e esbater as diferenças sociais do território.
Contrariando a mensagem deixada pelo pároco oliveirense, de que esta região está afastada da “fogueira de lá de baixo”, o presidente do Instituto da Segurança Social, lembrou que o PARES, ao qual se associou o Programa Operacional de Potencial Humano tem contribuído para “trazer as brasas para fora da fogueira”.
Edmundo Martinho frisou, inclusivamente, que “é nas áreas metropolitanas que se sente a maior falta de respostas”. Na concretização do sonho da ARCIAL, Martinho destacou o “papel difícil” desempenhado pela direcção da Associação e elogiou a congregação de esforços e de recursos mantida com a Câmara Municipal e a Segurança Social. “É desta congregação que nascem as boas obras”, verificou.
“Uma instituição com 90 utentes, 30 anos de vida e mais de 20 funcionários já merecia estas instalações”
Pese embora o reparo à ausência do governo, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital centrou a sua atenção na obra que estava a ser inaugurada, sublinhando que em causa estava a concretização de “um velho anseio e de uma luta de vários anos que agora é concretizada”.
“Uma instituição com 90 utentes, 30 anos de vida e mais de 20 funcionários já merecia estas instalações”, observou José Carlos Alexandrino, reconhecendo o empenho dos vários dirigentes da ARCIAL, da Segurança Social, do município e do comendador Serafim Marques.
O presidente da Câmara dirigiu também um agradecimento especial ao director distrital da Segurança Social, elogiando a forma “aberta” como Mário Ruivo tem lidado com os projectos do concelho de Oliveira do Hospital.
Voltando a colocar as pessoas no topo das suas prioridades, José Carlos Alexandrino referiu que é “para elas” que o seu executivo pretende trabalhar, “e não para as estatísticas que aparecem por aí”.
Revelando-se preocupado com as pessoas com necessidades especiais, o presidente da Câmara lembrou que 2010 é o ano europeu de combate à exclusão social e que, a inauguração de hoje pode ser vista como uma forma simbólica de assinalar a efeméride.
Neste domínio, deu ainda conta dos esforços desencadeados pelo município no sentido de “dar as melhores respostas a quem necessita”. Destacou a entrada em funcionamento do Gabinete de Inserção Profissional, do Contrato Local de Desenvolvimento Social e da Plataforma de Atendimento Social.
Sem deixar de manifestar a disponibilidade do município para “apoiar técnica e financeiramente a ARCIAL e outras instituições do concelho”, José Carlos Alexandrino revelou a sua preocupação em relação à economia do concelho e à ameaça do desemprego.
