O município de Arganil vai avançar com a demolição da chaminé da antiga fábrica de resina, localizada no terreno onde está a ser construído o novo Serviço de Urgência Básico e Centro de Saúde, na Avenida de São Pedro, após um estudo técnico ter concluído que a estrutura não cumpre os actuais critérios de segurança.
A chaminé, com cerca de 20 metros de altura, construída em alvenaria de tijolo, com base quadrada e corpo em cone, é um dos elementos mais singulares do espaço anteriormente ocupado pela unidade industrial. Atendendo à sua relevância simbólica e ao enquadramento no novo equipamento de saúde, a autarquia promoveu uma avaliação técnica aprofundada da estrutura, realizada pelo Itecons, Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade.
O estudo, desenvolvido de acordo com as normativas europeias em vigor, incluiu o levantamento das anomalias existentes e a análise da resposta estrutural da chaminé às acções regulamentares, nomeadamente ao vento e à acção sísmica. As conclusões apontam para fragilidades significativas, com tensões de tracção superiores às admissíveis, o que significa que a estrutura não garante os actuais requisitos de segurança estrutural.
Segundo o relatório técnico, mesmo admitindo intervenções de reparação das anomalias identificadas, a chaminé não apresentaria capacidade de resistência adequada face às acções do vento e aos efeitos sísmicos calculados de acordo com a legislação aplicável, colocando em causa a segurança de pessoas e bens.
Perante este enquadramento, o município de Arganil decidiu avançar para a demolição da estrutura. A intenção inicial passava pela reconstrução da chaminé, reproduzindo a forma tradicional da original, mas a autarquia optou por lançar um concurso de ideias destinado à criação de um novo elemento arquitectónico que substitua simbolicamente a antiga chaminé.
O presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, sublinha que “esta chaminé é um elemento marcante da memória industrial deste local e da história recente de Arganil”, defendendo que a sua substituição, por razões de segurança, “não deve apagar essa memória, mas antes ser uma oportunidade de a reinterpretar e adaptar aos dias de hoje”.
De acordo com o autarca, o concurso de ideias pretende desafiar arquitectos a apresentar propostas que valorizem o espaço, criando um novo elemento de referência, integrado num equipamento de saúde considerado determinante para o concelho. O concurso terá associado um prémio monetário, estando as condições de participação e os restantes detalhes a ser divulgados em breve pelos canais oficiais do município de Arganil.
A empreitada do novo Serviço de Urgência Básico e Centro de Saúde encontra se actualmente na fase de execução da laje do rés do chão, estando prevista a demolição da chaminé após a conclusão destes trabalhos, previsivelmente na segunda quinzena de Janeiro.
A construção do novo equipamento representa um investimento global de 6,2 milhões de euros, dos quais cerca de 4 milhões de euros são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência. A obra foi adjudicada à empresa António Saraiva e Filhos, Lda., e visa dotar Arganil e os concelhos da região de um equipamento de saúde moderno, funcional e ajustado às exigências actuais na prestação de cuidados de saúde.
O projecto integra mais de 65 espaços distribuídos por dois pisos, com 31 salas e 34 gabinetes, assegurando uma resposta articulada entre o Centro de Saúde e o Serviço de Urgência Básico. O edifício contará ainda com 46 lugares de estacionamento coberto, 34 lugares exteriores e quatro lugares reservados a ambulâncias.
O Serviço de Urgência Básico de Arganil serve maioritariamente os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital, Tábua, Góis e parte de Pampilhosa da Serra e Penacova, enquanto o Centro de Saúde assegura atendimento a cerca de 12.200 utentes.
