… deste jornal um incidente gravíssimo em que um quadro superior da Câmara de Oliveira do Hospital – fundamentalmente governada pelo dueto social-democrata Carlos Portugal/Mário Alves –, deu-se ao luxo de pegar no livro de escrituras da câmara e rasurar um documento público.
Na altura, o Correio da Beira Serra – para que não restassem dúvidas e não houvesse a possibilidade de alguém vir dizer que tinha sido mais uma invenção do jornal – estampou nas suas páginas as provas do crime: o documento original e o rasurado. Nunca se soube com que fins é que a artimanha foi feita, porque nunca existiu qualquer investigação. Ao autor da falsificação – o director de Departamento Administrativo e Financeiro da CMOH, Rui Rosa – o executivo deu-lhe apenas uma admoestação. O caso ficou por aí porque a oposição socialista e as instâncias judiciais nada fizeram.
Hoje, chegam-me notícias de funcionários autárquicos que, ao invés da protecção que foi dada ao personagem em causa, se queixam de perseguição e de tratamento alegadamente anti-democrático.
Entre os funcionários, vive-se um ambiente de cortar à faca, confidenciava-me há dias um funcionário autárquico, avisando-me sistematicamente da necessidade do sigilo da conversa.
Se este desabafo fosse só de um único funcionário, ainda daria o benefício da dúvida, mas o problema é que há cada vez mais trabalhadores do município a queixarem-se do chefe do executivo e de uma espécie de assédio verbal, que obriga as pessoas ao silêncio porque “quem manda pode”.
Eis que agora – e sem querer antecipar aqui qualquer tipo de julgamento –, duas funcionárias decidem mover uma queixa-crime contra o presidente da câmara, embora na qualidade de cidadão. Não sei o que dizer: primeiro são os colegas de partido, agora são as trabalhadoras do município…
O que sei é que este clima de conflitualidade em nada prestigia o poder local.
Henrique Barreto