O trágico acontecimento que, na passada sexta-feira, vitimou o jovem empresário e dirigente desportivo de Nogueira do Cravo teve hoje o seu momento mais expressivo.
Conduzido em braços, primeiro por elementos da Associação Desportiva Nogueirense e depois por funcionários da empresa onde era gerente (JMF), Pedro Marques foi alvo de profundas manifestações de pesar e de dor sofrida.
Seguindo a prática religiosa da família, a cerimónia fúnebre contou sobretudo com as palavras sentidas do pai, Joaquim Marques que visivelmente consternado lamentou a perda do “querido filho”.
Profundamente abalada com a perda do marido, a viúva que desde o trágico incidente não arredou pé da Unidade de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra deixou a promessa de criar o filho de ambos à imagem do pai falecido.
Tal como a viúva, também a mãe e irmã estavam mergulhadas em verdadeiro pranto, ao mesmo tempo que proferiam palavras de profunda dor.
Foi, contudo, da área desportiva a que Pedro Marques estava ligado, que proliferaram palavras plenas de simbolismo, marcadas pela promessa da continuação dos sucessos desportivos.
“Com este grupo e esta equipa honraremos-te a ti e honraremos Nogueira do Cravo”, afirmou o treinador Pedro Ilharco que, já esta semana se viu forçado a despedir-se do seu adjunto, Luís Simões, de 49 anos.
Amigo e companheiro de Pedro Marques na direção da Associação Desportiva Nogueirense, Francisco Martins referiu-se ao jovem falecido como “um exemplo para todos nós e para esta terra”.
Por fazer, lamentou, fica o que foi prometido num último jantar, com a certeza de que “Deus nos dará forças para continuar”. A partilhar da “mesma fé” que grassa entre a família, concluiu: “nós um dia vamo-nos abraçar, obrigado”.
Após um silêncio ensurdecedor que marcou a despedida ao malogrado jovem, foi o som estridente das palavras, proferidas em grito, pelo plantel da ADN que a todos fez arrepiar: “Quem nós somos? Nogueira, Nogueira, Nogueira… O que nós queremos? Ganhar, ganhar, ganhar…”
