Este (des)Gogoverno acaba de (re)anunciar o (re)lançamento de concurso público para a (re)construção da Barragem de Girabolhos, aqui perto no Rio Mondego, na freguesia de Girabolhos, ainda no concelho de Seia.
Trata-se afinal de “ressuscitar” um projecto que fora “morto” há uns anitos após a génese que remonta a 2006 e ao “Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico” engendrado no tempo de um certo Primeiro-Ministro de má fama, mas bom proveito (para ele…). Ao que nos é dito, o orçamento atinge 300 milhões de euros, o que será significativo para um prazo de construção a 12 anos.
Entretanto, parece ter caído para as calendas (esquecimento governamental) uma outra barragem e também ela prometida (2024) pelo anterior (des)Governo PSD / CDS – PP, a nova Barragem de Fagilde, (em substituição da actual), no Rio Dão, um afluente do Mondego, esta entre Viseu e Mangualde.
A “conversa da treta” para alicerçar a especulação imobiliária em Coimbra…
Para esse efeito, aliás inconfesso, alguns decisores políticos e respectivos “conselheiros-mor”, aliás como volta a acontecer agora, desunham-se em torno de um propalado (mas falseado) objectivo, o de controlar as cheias periódicas do Rio Mondego em Coimbra e no Baixo Mondego (?!)… É uma verdadeira mentira política destinada a engrolar os ingénuos. Em última análise, esta “teoria” tem o objectivo de vir a desbloquear a especulação imobiliária em Coimbra, em especial na (vasta) zona até agora considerada como “leito de cheias do Mondego”, nomeadamente próxima da Estação “velha” dos comboios, em “Coimbra B”, onde agora se não pode construir intensivamente…
Ou seja, construída que seja Girabolhos, os tais decisores políticos e seus conselheiros, normalmente avençados, “decretam” que já não haverá cheias no Mondego e, então, os especuladores poderão avançar com a construção imobiliária… E, assim, serão muitos milhões a correr para os bolsos de alguns…
Barragem de Girabolhos é atirar-nos água (barrenta) para os olhos…
Pois o problema, mãe de todos os maiores problemas, é os decisores políticos e administrativos não quererem encarar a Bacia Hidrográfica do Rio Mondego como um todo coerente e interdependente. É quererem passar ao lado da Região e das suas Gentes, afinal para favorecerem o “negócio” e as “negociatas” de grandes interesses económicos!
De facto, há o Mondego Médio/Superior (desde a nascente até Aguieira/Coimbra) e o Baixo Mondego (de Coimbra até à foz, na Figueira da Foz). E cada um destes “Mondegos” tem a sua própria realidade e as suas próprias necessidades tanto mais reais quanto melhor forem articuladas com Agentes Sócio-Económicos Locais e Populações. Ora, não tem sido assim.
Acresce a urgência em que o sejam por causa das grandes ameaças ambientais e climáticas – que já são o presente – a que se somam as causas persistentes e quase sempre impunes, da má qualidade – poluição – das águas. No tempo dos antigos Romanos, o Mondego foi chamado de “MUNDA” pela clareza das suas águas! Pois “há que séculos” que isso já lá vai por água abaixo…
Portanto, acudir à Bacia Hidrográfica do Mondego vai para além da Barragem de Girabolhos e importará actuar nos contextos e apesar de haver ou não haver Girabolhos. Aplicando uma linguagem futebolística, centrar o debate e a acção pública na Barragem de Girabolhos é “afunilar o jogo”, é um erro estratégico que não serve a Região e as Populações que a habitam ou visitam. Porém, neste sistema dominante, os Orçamentos tendem para favorecer os grandes interesses económicos e não são elásticos. Não vamos cair em opções tipo em alternativa, mas se nos perguntarem opinião sempre diremos que os 300 milhões de euros previstos para se construir Girabolhos poderiam apoiar uma outra estratégia por exemplo para se fazer a reflorestação das áreas ardidas e desertificadas e assegurar a despoluição das águas de rios e ribeiras. Aliás, deveria ser nestes aspectos que se deviam concentrar muitos Autarcas da Região em torno das ditas “contrapartidas” de que falam no contexto de Girabolhos.
Acresce que dominar com maior sucesso as cheias do Rio Mondego, em Coimbra, antes de tudo implica “domar” o Rio Ceira, este um curto Rio de Montanha mas carregado de (mau) génio e de águas e detritos a assorear o Mondego quando chove mais! O Ceira é curto mais é “valente”, apesar de até já lhe levarem, próximo à nascente, água para o Rio Zêzere, ou seja, este “nosso” Rio Ceira também mexe, embora um poucochinho, com a Bacia Hidrográfica do Rio Tejo, quem diria?!
Barragem de Girabolhos não é necessária assim tanto!…
Sobretudo até se construírem a nova Fagilde e se “domarem” o Ceira. Ao mesmo tempo, agilizar e monitorizar, a sério, a “Obra do Mondego”, e nesta a “rede de rega e enxugo” no Baixo Mondego, isso é muito mais importante que proporcionar muitos milhões de lucro aos “patrões” das grandes empresas da energia eléctrica e da construção civil.
Vá lá, deixem-se todos de tretas e não nos queiram comer por lorpas…
Autor: João Dinis, Jano
