Correio da Beira Serra

“Bilhete Postal desde a Cordinha”: Na Cordinha, há obras da Câmara Municipal em contradição com a Natureza. Autor: João Dinis, Jano.

"Açude da Ribeira" vai ter Passadiços panorâmicos. Mas durante pelo menos meio ano não há queda de água. Mas há água muito poluída. Quem e o quê a poluem ??"

Mas a Natureza não se adapta assim! Nem nós…

Vamos começar por assumir que não estamos “contra” tais Obras apesar delas, de facto, se apresentarem numa espécie de contradição com os ritmos da Natureza.

Piscinas Municipais a céu aberto, em Seixo da Beira…mas só uns três meses por ano.

Falemos então das Piscinas Municipais a céu aberto dentro de Seixo da Beira. Têm a inestimável vantagem de proporcionar o contraste entre o “frio” da água e o calor do Sol (com a brisa a afagar os nossos corpos…).  Mas isso acontece apenas no Verão.  Ou seja, são Piscinas Públicas que só são utilizadas durante uns 3 meses por ano o que equivale a dizer que estão fechadas 9 meses seguidos.  Trata-se, assim, de um equipamento interessante mas que não está adequado aos ritmos e às leis da Natureza que mais o condicionam.  Aliás, o conceito é demasiado curto.  Constrói-se uma Piscina destas e investe-se dinheiro público que fica desaproveitado 9 meses por ano.  Nos projectos de uma Obra como esta, esquece-se que por aqui há o Inverno que aliás é duro de suportar com frio e chuvas e ainda hoje assim é apesar das tais “alterações climáticas” …

Portanto, a Cordinha e desde logo a sua População, precisam e têm direito a uma Piscina Coberta e aquecida.  Fica mais cara de instalar, dá mais trabalho de manutenção mas só assim permite uma utilização alargada e mais democratizada.  O investimento é maior mas também tem maior justificação pois garante maior proveito público.  Afirmo que não basta construir-se Piscinas Públicas na Região. É necessário que sejam Piscinas Cobertas e Aquecidas!

Há já uns anos atrás, estivemos numa pequena cidade em França (região de Marselha) onde vimos uma Piscina Coberta e que podia abrir a cúpula que era telescópica e retráctil pois podia recolher-se encaixando-se dentro da sua própria estrutura quando accionado o mecanismo para o efeito. Ou seja, essa Piscina estava concebida para servir – coberta e transparente – de Inverno e também em tempo quente, no Verão, ao ar livre.  E a parte da cúpula à volta da Piscina propriamente dita, tinha muitos painéis fotovoltaicos para produzir energia eléctrica e aquecimento.  Dir-se-á que não estamos em França para termos “luxos” desses, o que é verdade mas enquanto evidência geográfica.  Todavia, eu contraponho que e tal como disse o outro: – “somos todos iguais mas há uns mais iguais que outros”.  Topam ?…

Sim, uma Piscina Coberta e Aquecida na Cordinha NÃO é um luxo!  É um direito!

Passadiços elevados em construção vão perturbar certos ângulos de visão do Açude da Ribeira (Rio Seia – Ervedal da Beira).  E queda de água só há alguns meses por ano…

Enfim, não se trata de evidenciar o costumado dito do “preso por ter cão e preso por não o ter”…  Porém, dá para antever melhor a futura situação de enquadramento visual destes futuros-próximos Passadiços a instalar de frente para o Açude da Ribeira (Rio Seia – Ervedal da Beira) agora que estão a ser construídos os primeiros pilares, em betão, do conjunto.

Pois logo a jusante deste Açude, a partir do Pontão para cima, vai ser interrompida a visão global e sem “obstáculos”, do Açude e da respectiva queda de água, aliás uma perspectiva muito bonita de enquadramento visual.  Para observação mais acessível e mais ampla, sempre se manterá esse nível de beleza natural, desde 30 metros da margem direita do Seia, na parte alta e rochosa que desce até confinar o início do Açude desse lado do Rio. Na margem esquerda, ainda dará para se ver razoavelmente também.

Porém, a partir de Maio (inclusive) a queda de água, com a sua “cortina” alta e larga, praticamente desaparece que o Rio deixa de ter água corrente para a manter.  A partir daí, a espectacular queda de água regressará ao Açude da Ribeira apenas lá para Outubro ou Novembro com as chuvas dessa época do ano.  Ou seja, durante pelo menos meio ano, a vista panorâmica fica confinada ao alto e largo muro de pedra que forma o Açude o qual até constitui uma autêntica obra de arte.  Porém e como é óbvio, sem água do Rio a cair desde o alto não se dá o espectáculo hídrico em contínuo, a desmanchar-se em espuma e som, ao fundo do Açude, já no leito do Rio.

Portanto, espectáculo realmente “espectacular” para quem andar nos Passadiços, “só” durante metade do ano quando a queda de água do Açude estiver em grande evidência…

Pelo contrário, hoje (Junho) é visível o triste espectáculo da água escura e “podre” do Rio, ali, logo ao pé deste Açude da Ribeira, com o leito do Seia carregado de lodo negro como se fosse petróleo em crude e ainda bem que o não é… Eis, nisto, neste mau estado do Rio, o pior de tudo nesta época e não só nesta, lamentavelmente !

Passadiços panorâmicos sobre o Vale do Mondego – à Penha da Póvoa – ao Vieiro e Vale de Ferro – ao “Baloiço”.  Aqui, mais de acordo com os ritmos e perspectivas da Natureza!

Temos insistido nisto.  Potenciar o Vale do Mondego, e continuamos na Cordinha, deve ser desígnio estratégico de Autarquias Locais e Governo.

É, pois, tempo de Câmara Municipal e Governo se ocuparem, a sério, e de entre outras Estruturas, em montarem um “Roteiro” turístico, de recreio e desporto que aproveite e potencie as boas condições naturais do Vale do Mondego, designadamente entre a zona de Seixas da Beira e a Ponte da Atalhada, esta na EN 230.

O arranjo e manutenção do “Estradão” fundeiro a este Vale do Mondego deve ser tarefa pública de rotina e não de excepção.  Uma Praia Fluvial no “Largo do Abel” é outro polo atractivo a instalar.

E deve constituir uma prioridade estratégica para a Cordinha e para o Município, a instalação de uns “Passadiços Pedonais” a correr pelo Vale do Mondego, com implantação nas vertentes por baixo da “Penha da Póvoa” e em zonas mais niveladas embora contínuas ou convergentes.  Isso sim, seriam uns “Passadiços” mais condizentes com a Natureza e seus atractivos, na Cordinha! Reconhecer isto mesmo, é acto de elementar “visão estratégica” … não “afunilada”!   Portanto, haja também vontade política…estratégica !

 

 

 

João Dinis, Jano

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