O grande desafio centra-se agora na dinamização – e promoção! – daquele importante legado histórico.
A freguesia da Bobadela assistiu, dia 29 de Junho,à inauguração de um espaço que é único no país. Totalmente a descoberto e apto para a realização de eventos culturais, o anfiteatro romano da Splendidissimae Civitati renasceu das cinzas e abriu as portas para a era moderna com a recriação de um circo romano.
“Hoje é efectivamente um grande dia para a freguesia, para o concelho, para a região
À semelhança do que sucedera em 2006 aquando da inauguração do Fórum, também ontem Mário Alves apelou à população para que bem acolha quem visita a Bobadela. “Sempre que alguém nos visite deve ser merecedor da nossa melhor atenção e hospitalidade para que possa transmitir a mensagem a outros”, disse, ao mesmo tempo elogiou a paciência dos habitantes no decorrer das obras.
Em matéria de dinamização do novo espaço, Mário Alves defendeu o “diálogo” entre os poderes central, regional e autárquico, para que “efectivamente, as políticas se consolidem e sejam concertadas”.
“Em vez de estarem preocupados em identificar os erros, identifiquem as virtualidades”
Manifestamente descontente com a comunicação social, o presidente da Câmara Municipal voltou ontem a apelar ao “trabalho de pedagogia”. “A comunicação social deve utilizar de pedagogia para cativar as pessoas e ver nos espaços aquilo que deve ver”, sugeriu o autarca, momentos após ter proposto a identificação das “virtualidades” e não dos “erros” daquele que é um “espaço com história milenar”. “Temos consciência de que não está tudo feito, mas vamos aperfeiçoando o sistema consoante as condições financeiras”, acrescentou, revelando-se confiante de que o espaço “venha a merecer a atenção de todos os que se interessam pela cultura, em especial pela romanização”.
Na mesma cerimónia, o delegado regional da Cultura deu conta da disponibilidade da Delegação se envolver em matéria de programação para “o magnífico espaço de memória clássica”. O responsável destacou ainda a importância do futuro Centro de Interpretação das Ruínas Romanas que vai “melhorar o acesso de todo o público à história e memória deste espaço”. Para além da fruição, o delegado regional da cultura destacou o significado do anfiteatro e vincou o interesse da Câmara e Junta de Freguesia na abertura do espaço à educação e à cultura.
“Não temos palavras para lhe (Mário Alves) agradecer”
António Simões Saraiva destacou a determinação de Maria Clara Portas no arranque das investigações, bem como de todo o grupo de trabalho que a acompanhou. Mas, foi sobretudo ao presidente da Câmara Municipal, que Simões Saraiva não poupou elogios de reconhecimento. “Graças a Deus tem Oliveira do Hospital à frente dos seus desígnios um homem para quem a cultura e a educação são o ponto chave da sua acção”, referiu, acrescentando que Alves “nunca se nega a lutar com força, por aquilo que corresponde a um maior desenvolvimento para o concelho”. “É o concelho de Oliveira do Hospital aquele que mais apoia as escolas do seu território de uma maneira notável”, adiantou, confessando “não ter palavras para lhe agradecer esta obra”, ao mesmo tempo que evocou a célebre frase de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Sobre o espaço, António Simões Saraiva afiançou que “vai enriquecer a cultura portuguesa e ser um ponto de grande interesse para estudiosos e arqueólogos”.
Sem deixar de evocar o mérito de todos os que participaram na concretização do espaço, o presidente da Junta de Freguesia da Bobadela referiu que a intervenção “há muito que era ansiada”, pelo que se tratava de “um dia marcante para a freguesia”.
Para Fernando Duarte, o anfiteatro romano é “uma mais valia para o concelho, para a região e para o país”, pelo que apelou a todos para que saibam preservar um espaço que “é cultura, é património e é da comunidade”.