Cada tabuense já deve 1043 euros, foi dito na reunião pública da Câmara de Tábua realizada ontem, onde estiveram em destaque as contas do município e o processo de mineração em curso no concelho. Segundo se pode ler no Relatório Semestral de Analise às Contas da Câmara respeitante ao primeiro semestre deste ano, um facto destacado pelo vereador do PSD, Vítor Melo, ao abordar uma entrevista do Presidente da Câmara a um jornal local onde referiu que assumia o compromisso de chegar ao fim do mandato com a dívida a zero. O presidente da Câmara disse que se estava a referir às dívidas às freguesias.
Vítor Melo voltou à carga, depois de aconselhar o presidente da autarquia a desmentir ou a emitir um comunicado para precisar melhor o que havia dito ao jornal, “apontando a realidade dos factos”. “O aumento do passivo durante esse período foi de 49 por cento e a dívida aumentou 2,728 milhões, o total do passivo aumentou 5,164 milhões no espaço de um ano. A dívida aos fornecedores subiu 45 por cento estando em 30 de Junho deste ano nos 4,746 milhões. Em resumo, cada habitante do concelho de Tábua passou a ter uma dívida que era de 799 euros para 1043 euros, ou seja, aumentou mais de 30 por cento. Nos empréstimos realizados a banca totalizam 5,7 milhões. E são empréstimos a vinte anos. Só se se para si as responsabilidades bancárias não são dividas Deve estar à espera que lhe saia o Euromilhões”, ironizou Vítor Melo
Ricardo Cruz respondeu com a obra feita nestes dois anos de mandato, frisando que dois dos empréstimos, de cerca de quatro milhões, “foram também aprovados” pela oposição. “Todos abemos que empréstimos de curto prazo se inserem em candidaturas e depois somos ressarcidos da verba, sendo um acto de boa gestão”, disse o autarca.
Vítor Melo abordou ainda na sua intervenção a presença na última Assembleia Municipal dos responsáveis da empresa que vai efectuar a prospecção de minério em Tábua, para prestar esclarecimentos sobre o processo, pedido que fora formulado pelo grupo de Trabalho do PSD/CDS. Mas garantiu que os responsáveis da empresa a duas perguntas que considerou fulcrais: “Se fosse atribuído o direito de exploração qual seria a sua intenção: extrair e processar a terra de forma a retirar os minerais desejados; ou se extraiam a terra e a levariam para outro local a fim de processar e extrair os minerais desejados? Não responderam a esta questão, pois todos sabemos que não é na extracção mas no processamento da terra que se verifica uma maior contaminação dos solos”, referiu Vítor Melo, sublinhando que a empresa continua a não cumprir a lei que a obriga a realizar em cada município e freguesia abrangidos pela exploração mineira pelo menos uma sessão pública de esclarecimento.
