…onde o presidente da Câmara deu como certa a aplicação de “mão bastante dura” nos casos de negligência.
“Não é possível continuar a manter pessoas com uma negligência elevada a colocar em causa os bens patrimoniais das outras pessoas e vizinhos”. A declaração foi feita, esta manhã, pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, quando participava na sessão de sensibilização realizada no recinto da feira oliveirense e da qual fez parte a reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios.
Comparando com o ano de 2005 , entendido como um dos mais negros em matéria de incêndios florestais, José Carlos Alexandrino referiu que os números registados no primeiro trimestre deste ano “estão muito à frente” dos que foram registados em período homólogo daquele ano e, garante não ter dúvidas de que, apesar de as condições climatéricas não serem propícias, “tem havido um conjunto de ocorrências derivado de negligência”.
“Há casos concretos, este ano, de pessoas que fizeram queimadas de forma irresponsável e que prejudicaram grandes áreas”, continuou Alexandrino, aludindo a “casos de negligência grosseira” que “trouxeram graves prejuízos ao concelho”.
Na ação de proximidade com os oliveirenses, os responsáveis locais pretenderam alertar para os perigos decorrentes de queimas e queimadas, em particular quando as condições climatéricas não são as adequadas para aquela prática.
“Viemos consciencializar as pessoas para que obedeçam às regras e efetuem pedidos junto da Câmara Municipal, que está disponível para acionar todos os meios, para que não aconteçam as desgraças que se têm vindo a verificar aqui no concelho”, explicou o presidente do município e responsável pela proteção civil municipal que ao lado de comandantes dos bombeiros voluntários, GNR, e outros agentes da proteção civil distribuiu material informativo pelos oliveirenses, numa lógica de “prevenção”.
A preocupação em torno daquilo que poderão ser práticas negligentes não se esgota, contudo, na realização de queimas e queimadas e chega também ao incumprimento dos proprietários em matéria da limpeza obrigatória dos terrenos. “Temos vindo a diagnosticar casos de falta de limpeza e damos período de 15 dias para as pessoas efetuarem esse trabalho”, referiu Alexandrino, explicando que findo aquele prazo, a autarquia procede à aplicação de coima e, em caso de necessidade, à limpeza do terreno em questão.
Segundo explicou, o objetivo era reunir todos os terrenos sem dono num mesmo pacote e em caso de não haver reivindicação por parte do proprietário, o terreno passar para a alçada do município. “Há muito trabalho a fazer nesta área”, frisou o autarca oliveirense, regozijando-se porém, com o facto de o município dispor de um dispositivo contra incêndios capaz de assegurar “uma boa resposta”.
“Só por isso é que o número de área ardida não é maior”, constata o presidente que, entre janeiro e março deste ano, já conta com 63 ocorrências e 27 hectares de área ardida.
