Fazendo hoje 34 anos que se deu o atentado que vitimou entre outros, os então Primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, aproveito para fazer um pedido aos senhores deputados, que cometeram o erro de criarem a 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar à Tragédia de Camarate (CIPTC): por favor ouçam as vozes bem avisadas, sensatas e honestas daqueles que pedem que não gastem mais dinheiro do orçamento da Assembleia da República.
Foto: Alfredo Cunha
Pensem, isso sim, em medidas para combater a actual situação económica em que se encontra o País. Combatam o desemprego, desenvolvam a produtividade nacional, ouçam as palavras do senhor Presidente da República, especialmente as pronunciadas nos dias 25 de Abril e promovam uma imagem positiva de Portugal no estrangeiro. Não gastem tempo e dinheiro a analisar uma situação do passado, que já não interessa e não vai adiantar ao futuro. Por favor, senhores deputados, não percam tempo e dinheiro com as comissões quando já houve nove e decorre desde 10 de Janeiro de 2013 a décima.
Mais uma comissão de inquérito parlamentar onde não há mais nada a acrescentar. Ou preferem continuar a distrair-nos com estas questões do passado enquanto o povo passa fome? Ouçam, por favor, o ex-conselheiro da Revolução, Sousa e Castro, que diz que os militares de Abril derrubaram o Estado Novo para acabar com a fome em Portugal e investiguem, por exemplo, o negócio dos submarinos. Esse sim, um verdadeiro escândalo, a par de casos como o BPN, o BES ou as vergonhas do Freeport e os seus “envelopes castanhos” mais os gabinetes de arquitectura de amigos. Por favor, ouçam este apelo de um simples cidadão: não percam tempo com a 10ª CIPTC.
Acaso imaginam as implicações que teria para o nosso futuro se acusarmos os Estados Unidos da
E aviso-vos que nem sequer era necessário chamar o desacreditado Fernando Farinha Simões de Vale de Judeus para testemunhar no Parlamento que Sá Carneiro
Se insistirem nessa perigosa ideia, então façam tudo para enganar o povo Português e escondam a necessidade de envolver o nome do Presidente da República nessa questão. Eu sei que vai ser difícil, pois quando o actual Presidente da República era ministro das Finanças recebeu ordens de Sá Carneiro para investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar e nunca o fez. Assim, qualquer comissão séria teria de ir perguntar-lhe o motivo pelo qual não cumpriu as ordens do primeiro-ministro e se
Senhores deputados, não sujeitem o Presidente da República a perguntas incómodas sobre qual o conteúdo da última reunião de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, na qual ele esteve igualmente presente, na manhã do fatídico dia 4 de Dezembro de 1980, juntamente com as mais altas chefias militares do País, para falarem precisamente sobre questões de dinheiro e Orçamento. Não façam essas perguntas ao Presidente da República, pois o País já tem tantos problemas económicos que a imagem de Portugal no estrangeiro iria ficar arruinada para sempre.
Já basta termos um ex-primeiro-ministro com fama de corrupto e detido no estabelecimento prisional de Évora. Imaginem agora só se, na sequência da vossa investigação, um jornalista norte-americano, ou inglês, ou francês, ou alemão se lembrasse de escrever lá no país dele que, aqui, no belo e tranquilo Portugal, o Presidente da República é suspeito de ter encoberto o móbil do assassinato pela CIA de um antigo primeiro-ministro e ministro da Defesa. Que o fizera para proteger militares portugueses e norte-americanos. Que assim escondeu um negócio de tráfico de armas de Portugal para o Irão no tempo em que o ex-director da CIA, George Bush, era candidato a vice-presidente dos EUA.
Imaginem ainda que esses jornalistas se lembrassem ainda de que, no dia da primeira tomada de posse do nosso Presidente da República, George Bush esteve no Parlamento português como seu convidado de honra, confirmando assim uma longa amizade.
Imaginem, então, uma coisa ainda mais grave, pois esses jornalistas estrangeiros iriam depois ficar a saber que, a ter havido negócio de tráfico de armas para o Irão através de Portugal em finais de 1980, isso iria demonstrar que elementos da campanha republicana Reagan/Bush, ex-agentes da CIA, teriam negociado secretamente com os iranianos a não libertação dos reféns de Teerão antes das eleições presidenciais nos EUA, a 4 de Novembro de 1980, roubando assim a reeleição de Jimmy Carter.
Não, senhores deputados, a morte de um estadista em Portugal
Por isso, o meu apelo, para pararem com esses inquéritos. Tentem ir adiando até ser esquecido. A imprensa está a dar o exemplo e está fazer um bom trabalho ao ignorar o assunto. Deram a notícia ontem, mas hoje já ninguém se lembra. Não falem mais nisso e daqui a nada, perto do fim do mês vem o Natal, e depois o fim de ano, os portugueses já se esqueceram e podem continuar infelizes e domesticados como sempre.
Qualquer CIPTC, esta ou outra qualquer, mesmo que conseguisse abafar metade daquilo que eu aqui digo, ainda assim iria descobrir muita coisa, pois os factos existem e até estão à vista. Não os liguem entre si. Não estraguem a verdade oficial que tantos anos demoraram a construir. Lembrem-se que se houver sangue, ainda pode ser o vosso a jorrar nas escadas do Parlamento. Não deixem falar quem quer falar, não façam falar quem não pode falar. Por favor, senhores deputados, não falem mais em Camarate! Preocupem-se com a Justiça, pois têm agora uma boa oportunidade de a credibilizar e exaltar fazendo que os trâmites da Lei funcionem livres de descrédito no Caso do detido 44.