…, de dialogar com instituições e associações”, afirmou ontem o presidente da Comissão Política Concelhia (CPC) do PS, José Francisco Rolo, sem que no entanto tivesse satisfeito a curiosidade dos militantes e simpatizantes que se mobilizaram na zona central de Lagares da Beira para participarem na Festa Convívio dos socialistas.
É que, ainda não foi desta que o líder local do partido anunciou o nome do candidato que, nas próximas eleições autárquicas, vai disputar a presidência da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.
Desvalorizando a política do “bota a baixo” e do “falar mal só por falar”, Rolo disse ser adepto da política “das soluções e não dos problemas”. “Temos feito isso na Câmara e Assembleia Municipais”, garantiu, ao mesmo tempo que na pessoa de Alberto Amaral homenageou todos os autarcas socialistas. “Alberto Amaral sempre esteve do lado das soluções e sempre foi um autarca disponível”, referiu, sem deixar de realçar a qualidade dos três autarcas socialistas de Lagares da Beira, São Paio de Gramaços e Ervedal da Beira, bem como as equipas que os acompanham, porque – como disse – “não há homens sós”.
Desde o desenvolvimento económico e empresarial, passando pelos problemas de água e saneamento, relacionamento com presidentes de Junta de Freguesia, instituições e associações, foi vasto o leque de preocupações referenciado ontem pelo líder do partido.
Sem deixar de sublinhar o empenho dos socialistas para que no concelho se avançassem com projectos de índole empresarial, Rolo lamentou que o “Empreender +” e o “Invista +” não tenham ainda criado qualquer posto de trabalho, nem empresa produtiva. “Isto preocupa-nos, tal como nos preocupa o estado da Zona Industrial que se mantém como a deixou César Oliveira”, sustentou o socialista, pedindo “por favor ao senhor presidente da Câmara para que amplie a zona industrial e crie pólos industriais nas principais freguesias”. Os oito lotes que continuam desocupados no pólo da Cordinha mereceram também o desapreço de Rolo, que apelou ainda a Mário Alves para que crie na autarquia um gabinete de apoio ao empresário.
“Os presidentes de Junta são os que estão mais próximos das populações e necessitam ser acarinhados”, referiu Rolo, defendendo “tratamento igual em circunstâncias iguais” para com as instituições e associações. “Há instantes foi assinado o protocolo para a colocação do relvado sintético em Nogueira do Cravo. Concordamos com ele, mas é importante ver os apoios disponíveis para outras associações do concelho”, considerou Rolo, notando que “não podem haver associações de primeira e de segunda”. “Sei de instituições que pedem apoio da Câmara Municipal e recebem zero”, sustentou, lamentando que sejam “vergonhosamente discriminadas”.
Preocupado com a fraca promoção externa do concelho, o também vereador na Câmara Municipal – à semelhança do que já tinha feito no exercício daquele papel – voltou ontem a solicitar ao presidente da autarquia oliveirense que realize a FICACOL em 2009, porque “quem não é visto, não é lembrado e Oliveira do Hospital precisa de ser lembrado”.
Das queixas ao papel da Câmara, Rolo passou de imediato para os elogios à actuação do Governo, mais concretamente ao pacote de investimentos em torno das acessibilidades e apoio social.
“A adesão a esta iniciativa representa algo mais que irá acontecer em Oliveira do Hospital em 2009”
A proximidade com as pessoas e o trabalho que se desenvolve de baixo para cima foram aspectos referenciados por Henrique Fernandes, presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Coimbra, como determinantes para se chegar à liderança da Câmara e Assembleia Municipais. “Em Lagares da Beira, o PS tem futuro e Oliveira do Hospital com o PS terá mais e melhor futuro”, considerou Fernandes.
Sem deixar de fazer referência à sua recandidatura à Federação do PS de Coimbra, Victor Baptista disse não ter dúvidas de que a adesão à iniciativa realizada em Lagares “representa algo mais que irá acontecer em Oliveira do Hospital em 2009”.
“Temos boas expectativas para 2009”, referiu Baptista que, num olhar pelo concelho e comparando com o de Tábua por exemplo, constata que “não há nada de novo”. “Em Oliveira do Hospital só existe uma escola superior que se deve a António Guterres…e finalmente as vias de comunicação são obras do PS”, sustentou o ainda presidente da Federação que não deixou de elogiar o trabalho desenvolvido pela CPC do PS, nem de se mostrar disponível para apoiar a construir a vitória do PS em Oliveira do Hospital, depois de reconquistar a liderança da Federação.
Convidando as pessoas a reflectir, António Campos foi sem dúvida o convidado que, mais atenção reuniu em torno da sua intervenção. “Vivemos num mundo de transformação, como é que vamos ajudar o nosso concelho e o país?” questionou António Campos, para de seguida dar conta da necessidade “pessoas corajosas”. É que o mítico militante do PS disse ter a “convicção profunda de que se tivéssemos outra Câmara Municipal, o nosso concelho estaria depois de Coimbra e da Figueira da Foz, a nível distrital”.
“Fomos ultrapassados porque não há espírito de pensar e de unidade no concelho”, referiu, notando que “outro presidente de câmara correria o país à procura de emprego para fixar no concelho”. “O nosso presidente faz zero”, afirmou.
Visivelmente satisfeito com a ocupação total das vagas para os cursos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, António Campos deu conta da necessidade de “grandes instalações para o politécnico”. “Foi uma grande vitória”, sublinhou, confessando que ele próprio chegou a pensar que era impossível fazer vingar a ESTGOH porque o concelho está envelhecido.
Sem deixar escapar a oportunidade para apelar aos dirigentes distritais para que “intercedam” pela freguesia de que é autarca, Raul Costa revelou-se satisfeito com a mobilização conseguida em Lagares da Beira e disse não ter dúvidas de que: “em termos de festa, já ganhámos”.
Também presente no convívio, o líder da Juventude Socialista, João Ramalhete opôs-se à política dinamizada pelo actual presidente da Câmara, recusando-se a continuar “refém” da “sua falta de visão”. Referiu-se ao caso concreto da saída do concelho da Região de Turismo da Serra da Estrela, não concordando que essa decisão “não seja negociável”.
