A pacata aldeia de Chamadouro, na freguesia de Óvoa, no concelho de Santa Comba Dão vê aumentar, três vezes por ano, de forma inusitada o movimento nas suas ruas. A razão prende-se com um evento que se transformou em tradição: o torneio de sueca, organizado pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa (ACDR) local que atrai dezenas de jogadores provenientes do Norte a Sul do País. Os prémios também são invulgares: três porcos inteiros, provenientes de um fornecedor de Meruje, terra com fama na área, do concelho de Oliveira do Hospital.
O evento, recorda António Santos, começou em 2006, altura em que na Associação o jogo da sueca entrava pela noite dentro aos dias de semana e ocupava as tardes de sábado e domingo de muitos adeptos da modalidade. “Havia sempre três ou quatro mesas”, conta António Santos. E foram esses aficionados que lançaram o desafio à direcção da ACDR para organizar um torneio. No início, nada de muito importante. Como prémio “um presunto, alguns chouriços e um queijo”. O tempo foi passando e a prova ganhou fama e começaram a chegar participantes de todo o país e do presunto passou-se para os porcos inteiros.
“Foi de tal forma que para assinalar a 50ª edição foram atribuídos como prémios 50 porcos. Tivemos um prejuízo terrível, mas o evento está muito consolidado e valeu a pena”, sublinha o presidente da ACDR de Chamadouro, cujo pavilhão conta com 60 mesas e uma capacidade para receber 120 equipas. “Mas a média de participantes anda entre as 50 e as 70 equipas”, frisa, António Santos, sublinhando que existem cada vez menos jogadores de sueca na localidade. “Os mais idosos deixaram de poder bater as cartas, foram partindo e os mais novos estão agarrados às novas tecnologias. Mas o nosso torneio continua a crescer e a chamar novos participantes e vai continuar”, remata.
