“Acudam que isto vai arder tudo!” O grito de desespero de Maria Helena, habitante de Oliveira do Hospital, espelha o sentimento das populações que nas últimas semanas têm sido fustigadas pelos incêndios.
Num domingo em que se registaram mais de 300 ocorrências, as chamas voltaram a destruir habitações e a colocar em perigo de vida mais bombeiros – além do Caramulo, os fogos de Oliveira do Hospital e Valpaços também ameaçaram habitações e assustaram.
Na serra do Caramulo – que regista o maior fogo do ano e por onde já passaram cerca de três mil bombeiros de todos o País – 11 voluntários e o condutor de uma máquina de rastos estiveram cercados pelas chamas. No entanto, a zona que ardia foi atacada pelos meios aéreos e em terra foi criado um perímetro de segurança, o que evitou o pior. Não muito longe dali, um autotanque despistou-
-se no IP3, em Tondela, provocando ferimentos a dois bombeiros. Este fogo foi dado como dominado às 19h00 – mas no local mantiveram-se mais de 350 operacionais para evitar reacendimentos e fazer rescaldo.
Em Oliveira do Hospital, viveram-se momentos de terror. As chamas ameaçaram aldeias, entraram em quintas, dispersas pela floresta, e queimaram o telhado de uma casa e uma viatura. O fogo, que começou às 10h00 em Ervedal, progrediu rapidamente e ameaçou as aldeias de Andorinha e Travanca de Lagos. Uma habitante ficou intoxicada pelo fumo quando tentava salvar os animais.
Em algumas zonas problemáticas, foi a população que, com auxílio dos meios aéreos, conseguiu travar o avanço do fogo. “Se não acodem, vai morrer gente. Fico sem nada”, chorava Rosa Gouveia, enquanto tentava apagar as chamas com um ramo de árvore.
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