A EXPOH, Feira Regional de Oliveira do Hospital, que este ano decorre de 22 a 30 de Julho (uma semana antes que a do ano passado), vai contar além dos já há muito anunciados Xutos e Pontapés com outros músicos de peso do panorama musical nacional. A autarquia, que optou por divulgar o cartaz com sete meses de antecedência, coloca também no palco do Parque do Mandanelho nomes como os Amor Electro e Marco Paulo (que está a comemorar 50 anos de carreira). Além deste trio, estão também confirmados Diogo Piçarra (venceu a quinta edição do concurso televisivo Ídolos) e Dengaz (um rapper português que conseguiu algum êxito com musicas como “Dizer que Não” e “Nada Errado”, “Rainha” e “Tamojuntos). Do cartaz faz parte também o Grupo AF.
O investimento é criticado pela oposição. O PSD considera que se trata de uma aposta que visa para elevar a fasquia do populismo do actual executivo próximo da campanha para as autárquicas. “Este modelo é um modelo falido, que não atrai expositores, nem público interessado na exposição. É um certame que apenas gera despesa ao concelho”, acusa João Brito, vereador social-democrata e presidente da concelhia de Oliveira do Hospital daquele partido.
Considerando que é importante atrair investimento, cativar e divertir as suas gentes, Brito aguarda agora que o executivo seja igualmente célere a divulgar os novos expositores que conseguiu atrair à “conta deste mega investimento”. “Estamos à espera que existam expositores que possam, de facto, abranger todos os sectores industriais do concelho e arredores, para aí sim, mostrarem o tecido industrial oliveirense. Não queremos acreditar que, depois desta aposta em bandas, se mantenha o modelo de anos anteriores em que a EXPOH se tem resumido a um local de encontro de juntas de freguesias, associações e IPSS’s”, sublinha, antes de terminar em tom de provocação. “Esperamos que o município não continue apostado apenas em dar música aos oliveirenses e cada vez ainda mais cara”.
O líder do CDS/ PP não se mostra tão cáustico. Considera que é importante promover o território e que esse trabalho tem sido bem feito. “Não sou daqueles que alinho na critica fácil de festas e festinhas”, explica Luís Lagos que não deixa, porém, de questionar se será necessário investir assim tanto neste sector, enquanto existem outras prioridades para o concelho. “O dinheiro não é ilimitado, tem de ser investido com parcimónia, não se podendo esgotar nestas iniciativas. É preciso promover o território e tem sido bem feito, mas não se podem ignorar outros aspectos que são de extrem importância para o futuro do conselho”, avisa.
O líder dos centristas fala, neste caso, no apoio às famílias jovens e ao tecido industrial. “Nestes aspectos em Oliveira do Hospital nos últimos 20 anos tem sido zero. E, se queremos um bom futuro para o concelho, temos de apostar no apoio às famílias jovens, numa nova zona industrial preparada para a quarta revolução industrial que dizem estar a chegar. O futuro passa por fixar famílias e quadros qualificados. E nesse aspecto o papel do executivo tem sido uma nulidade”, resume, antes de concluir que ninguém é ingénuo ao ponto de pensar que esta aposta do executivo num cartaz tão forte na EXPOH em termos musicais não tem a ver com a campanha autárquica. “É claro que tem. O problema é que hoje as pessoas já não se deixam levar. Sabem distinguir bem as coisas”, concluiu.
Também o eleito António Lopes vê esta aposta como uma pré-campanha eleitoral. Nada, diz, que não tenha acontecido em anos anteriores. “Em 2013 foi o Tony Carreira etc”, diz, sublinhando que já perdeu a conta à forma como o actual executivo vai “desperdiçando o dinheiro dos contribuintes neste tipo de eventos sem vantagens para o concelho. “Os meus comentários são conhecidos. São os mesmos. A asneira do executivo também é a mesma. Irresponsabilidade desrespeito pelo dinheiro publico e por quem precisa. E os casos aparecem todos os dias. Para a Câmara arranjar mil euros para uma causa social todo o mundo tem que saber. Já para gastarem centenas nestas loucuras, escondem, ou tentam esconder. Felizmente, a lei cada vez mais, obriga à transparência”, frisa, salientando que é um contra-senso que se gastem estes milhares quando não se investe em outras prioridades ou no corte de impostos. “Para o apoio ao ensino superior, à natalidade e outras necessidades sociais fica tudo na mesma. Cortar no IMI e no IRS dizem que não podem. Mas para a festança e bola há sempre dinheiro…”, lamenta.
A aposta do executivo liderado por José Carlos Alexandrino não surpreende. O presidente da autarquia já, no final do certame do ano passado, tinha anunciado que este ano a aposta iria ser superior. Embora tenha garantido que não pretendia fazer sombra a outros eventos da região como a EXPOFACIC ou Feira de S. Mateus que classifica de realidades muito diferentes, o autarca sempre foi referindo que a EXPOH é muito importante em termos económicos, considerando-a uma montra da actividade empresarial e da economia local e regional. “Esta é uma feira regional e não nacional como é a do queijo da serra da Estrela, essa sim, de nível nacional. E batemo-nos por isso”, rematou, recusando-se a ainda a fazer comparações com os eventos dos concelhos vizinhos como Tábua, Arganil ou Seia. “Não vou dizer que temos a melhor feira por uma questão de ética e amizade. Eles fazem as suas melhores feiras. Nós tentamos fazer a nossa melhor”, concluiu na altura o autarca oliveirense.
Fotos: sites oficiais dos artistas
