A 20 de Novembro a muito propalada «civilização ocidental» convencionou assinalar o «Dia Universal dos Direitos da Criança» englobando, na efeméride, a «Proclamação dos Direitos da Criança» (1959) e a «Convenção sobre os Direitos da Criança» (1989) no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).
São proclamações bonitas que, em si próprias, encerram intenções e conteúdos que constituíram um revigorante avanço civilizacional. A esse nível, as Crianças foram consideradas não como «adultos em miniatura», mas como as crianças que são e a que têm direito a ser. Mas, nisto, «ser» implica «estar» quer dizer, não basta elencar muitos direitos em abstracto. É necessário, e é um objectivo central da «civilização» se esta o pretende ser, é, pois, indispensável concretizar esses direitos perante cada Criança em concreto! Para que deixe de haver «homens (e mulheres) que nunca foram crianças» …
Não à guerra! Não à fome! Sim à Educação e à Brincadeira!
Porém, a realidade é terrível! Nega a «teoria» plasmada nas «proclamações» dos direitos da Criança. Isso mesmo acontece no nosso País que é Portugal. Não, não é preciso ir a África ou a outras regiões ditas «difíceis» para ficarmos chocados com tanto atropelo aos direitos concretos das Crianças em concreto como podemos encontrar entre nós! As estatísticas e os «estudos» específicos mostram que em meados deste ano haveria, em Portugal, 20 mil Crianças a viver no limiar da pobreza e em estado de pobreza quase absoluta. E, note-se, estamos a falar de um País como o nosso com 10 milhões de habitantes e não da Índia… E das Crianças a frequentar o 4º ano do Ensino Básico (10 anitos…) quase 8% delas admitem ter fome frequentemente! E diz a experiência que, nestas coisas, a números «oficiais» ou «oficializados» é aconselhável acrescentar mais 30% para se ficar próximo da realidade «real», digamos assim.
Ou seja, mais do que pena, sinto uma mal contida revolta perante esta mancha vergonhosa que alastra no meu País! Haver tanta Criança a passar fome em Portugal desmascara por si só todas as propagandas oficiais/governamentais em torno das «contas certas» do Orçamento do Estado e das outras loas entoadas por este e aquele governante de turno na chefia do «sistema». Deviam era envergonhar-se e ir para casa chorar…caso tivessem consciência própria e sensibilidade social. Mas não, vão-se entretendo a fabricar «casos e casinhos» com «escândalos» e «escandalozinhos» lá pelo meio para, também assim, irem enrolando o Povo! Ignomínia!
E a guerra?! Essa degola dos inocentes?! A guerra, qualquer guerra, é a mais brutal e mais assassina estupidez da Humanidade!
Não, não há palavras para exprimir a minha mais revoltada repulsa pela guerra! Morra a guerra e quem a promover! Morra!
Tortura-me a visão, ainda que televisiva, das cenas chocantes e dos destroços que a guerra proporciona. Nos últimos tempos, passámos quase dois anos debaixo da agressão televisiva via guerra da Ucrânia. E desde 7 de Outubro passado, o massacre televisivo passou a vampirizar a guerra na Faixa de Gaza.
A guerra não deve ser ignorada, mas a sua «imagem de marca» é horrível! Sim, para mim também é revoltante. Está a ser demais, saber e ver, ainda que à distância de um «clique» no comando da TV, aquelas imagens da «degola dos inocentes»! Com a exibição de tanta e tanta criança morta, ferida, feita órfã ou em fuga! Como é possível em pleno Século XXI? Num tempo em que a tal «civilização ocidental» nunca dispôs de tanto avanço tecnológico e científico, mas onde a frente se concentra nos avanços do tipo destinados à guerra? Destinados à «degola dos inocentes» como o são milhares e milhares de crianças! Quem lucra com a guerra?…
– «Mas as crianças, Senhor – porque lhes dais tanta dor?! – Porque padecem assim?». Apetece citar aquele muito terno poema – «Balada da neve» – de Augusto Gil.
Sim, fim à Guerra! Sim à PAZ!
Autor: Carlos Martelo
