“Quem não tem pão na sua terra vai procurá-lo longe “- Fernando Namora (Escritor e Médico)
O chamado “baby boom” (explosão da natalidade) ocorreu em Portugal no início da década de cinquenta do século passado, principalmente no mundo rural. Relembra-se que aquele era um período subsequente à II Grande Guerra Mundial e que apesar de Portugal não ter participado nela, a crise económica e social também se fez sentir no nosso país, onde o racionamento e mesmo a fome foi uma realidade. Apesar de muitos nascimentos ainda terem ocorrido nas próprias aldeias – quantas vezes no meio do próprio campo, a mortalidade infantil foi diminuindo e daí o tal “baby boom” na década de 50/60. Mau grado as precárias condições de vida, as famílias eram numerosas, porque a questão religiosa dominante e a inexistência de métodos anti contracetivos, permitia que nascessem e sobrevivessem todos aqueles que “Deus queria” – e as várias maleitas, existentes na época, faziam a seleção dos mais fortes e que sobreviveriam. Não cabendo todos nas aldeias, de parcos recursos, partiram para as cidades e para o estrangeiro (ex-colónias de África, Brasil e mais tarde Europa), lutando por melhores condições de vida, quando não pela própria sobrevivência. Como causa e efeito, forneceram mão de obra para o modelo industrial e o desenvolvimento económico e social e eles próprios beneficiaram também dessas novas condições de vida urbana. Era impensável que, nas cidades, qualquer família de operários ou de empregados do comércio e serviços pudesse ter uma prole numerosa e, inevitavelmente, esses “provincianos” passaram a ter, na sua maioria, apenas um ou dois filhos. O desenvolvimento e o bem-estar, aliado ao facto de as mulheres passarem também a desempenhar papeis no mundo laboral, gerou um acentuado decréscimo da natalidade por inversão das motivações para a paternidade. A tendência foi para a continuação desse decréscimo e não se vislumbram alterações. Atualmente, quem está disposto a abdicar da sua carreira profissional, mesmo que seja em funções básicas da hierarquia do trabalho, para ser pai ou mãe? E que dizer dessa árdua tarefa que envolve a criação de um filho, desde a gravidez até à sua entrada na vida ativa, incluindo-se a fase da educação e formação escolar e as despesas inerentes? “Filhos são cadilhos, para quem os tem” (“…mas cadilhos são para quem os não tem”) e, além disso, são tantas as alternativas para a utilização dos recursos financeiros auferidos (tempo, sacrifícios e dinheiro) pelo que só os “românticos” se dispõem ainda, a desempenhar esse papel e que permita perpetuar a descendência e a espécie humana. Alguns ainda se realizam nessa missão, mas ficam-se por um filho por casal, pelo que a natalidade decrescerá ainda mais. Este é um problema de todos os países desenvolvidos, pelo que se torna necessário encontrar soluções que invertam esta tendência do mundo desenvolvido. Para já e como quem “varre a casa para debaixo do tapete” foi escancarar as fronteiras à imigração e os resultados não são catastróficos para eles próprios – ou pelo menos os desejáveis, porque muita gente, desde políticos, jornalistas, etc, não dizem a verdade acerca da imigração. Tem sido “arma de arremesso” entre políticos e partidos, faltando um acordo de regime (entre os partidos da dita governação, agora com mais um e radical e que navega ao sabor dos seus interesses partidários) sobre esta tão importante matéria para o nosso país.
Desde há várias décadas que os imigrantes têm compensado o critico decréscimo da natalidade dos “nativos” em Portugal. Hoje, os imigrantes representam já uma significativa percentagem da população, mas o problema persiste porque os “nativos” deixaram de sentir motivação pela natalidade e as projeções para o futuro são de decréscimo contínuo. Assim, e tal como noutros países, também no nosso, alguns sectores da atividade económica já teriam entrado em rotura, se não se recorressem à mão de obra imigrante, até porque os portugueses já não estão dispostos a executar determinadas tarefas e que são imprescindíveis num modelo de sociedade moderna. É a própria Europa que fala nas necessidades crescentes de imigrantes, para manter o modelo económico-social, incluindo-se também o modelo de financiamento da segurança social que entrará em crise. Mas não basta ver o assunto apenas na ótica dum balanço entre o deve e o haver, porque a fatura virá depois com a natalidade dos imigrantes e o agrupamento familiar.
Se no nosso país a esquerda chamou de “nova colonização” ao exemplo, com mais de quinze anos, da Vila de Rei, a autarca preferiu implementar medidas de incentivo para chamar e fixar a
Autor: Serafim Marques, Economista
