Foi há dezasseis anos que começou um novo ciclo político em Oliveira do Hospital. Muitos acreditaram que seria um passo em frente, uma oportunidade de desenvolvimento, um tempo de investimento e progresso. Eu próprio, como tantos, cheguei a pensar que o concelho iria finalmente dar o salto que merecia.
O que se viu, no entanto, foi o contrário. Empresas fecharam e, ainda recentemente, um hipermercado encerrou portas, revelando que a cidade e o concelho de Oliveira do Hospital enfrentam sérios problemas de desenvolvimento. A Câmara parece alheia ao que se passa no dia a dia, enquanto se perdem postos de trabalho e desaparecem serviços públicos. O que antes parecia impossível tornou-se realidade: a estagnação. As promessas sucederam-se, mas as realizações foram escassas ou inexistentes.
Falou-se em acessibilidades, em variantes rodoviárias, em saneamento básico. Tudo ficou pelo caminho. O IC6 e outras vias estruturantes para a região, prometidas vezes sem conta, morreram no papel. Ano após ano, ouvimos as mesmas palavras, os mesmos anúncios, as mesmas justificações. Mas a verdade é que Oliveira do Hospital continuou sem avançar. A cidade permaneceu sem a variante de que tanto necessita ou da zona industrial de Nogueira de Cravo.
Com orçamentos sucessivos de centenas de milhões de euros, pouco ou nada se fez de estruturante. Só nestes últimos quatro anos, orçamentaram-se mais de 150 milhões de euros. Onde estão as obras? Onde está o investimento? Onde estão os resultados? Será que os orçamentos não são para cumprir? Tenho sérias dificuldades em perceber onde se gasta tanto dinheiro.
Isto é o retrato de uma região: concelhos empobrecidos, promessas políticas falhadas, empresários a carregar às costas aquilo que deveria ser um desígnio colectivo. Depois de 16 anos de muitas promessas vazias, é chegada a hora das eleições. É chegada a hora de castigar o imobilismo e de promover uma alternativa mais empreendedora. Porque o concelho merece mais do que palavras, merece obra, investimento, desenvolvimento, resultados concretos e respeito pelos cidadãos.
No concelho vizinho de Tábua, a política atinge, por vezes, um nível lamentável. O presidente da Câmara procurou achincalhar-me, insinuando que eu, enquanto vereador, faltei tantas vezes às reuniões que, se fosse “na escola, reprovaria por faltas”. Fiquei perplexo. Que seriedade é esta, quando eram conhecidos os problemas de saúde que enfrentei e que me impediram de comparecer aos actos da autarquia? Afirmar semelhante disparate não é apenas uma falta de respeito, é sobretudo um sinal de vazio de ideias e de ausência de obra. Curiosamente, a mesma pessoa já me havia difamado, há cerca de dois anos e meio, a mim e à MAAVIM, numa reunião pública de Câmara, na freguesia de Ázere, encontrando-se em curso um processo-crime contra o ainda presidente da Câmara Municipal de Tábua.
Como empresário, custa-me ver esta realidade. No sector privado não há espaço para promessas vagas: cumpre-se ou falha-se. Pessoalmente, construí um grupo que hoje emprega mais de seiscentas pessoas. Fi-lo sem anúncios grandiloquentes nem ilusões, apenas com trabalho, disciplina, rigor e resultados. Nunca prometi o que não podia cumprir; limitei-me a cumprir o que prometi.
E o contraste repete-se. Enquanto alguns se perdem em insultos e achincalhamentos, o executivo socialista da autarquia, liderado pelo actual presidente da Câmara, demonstrou, nestes dois últimos mandatos, ser ele o verdadeiro reprovado em gestão. Com um orçamento global próximo dos 140 milhões de euros, nos últimos quatro anos, os investimentos efectivos não ultrapassaram os 20 milhões, muitos deles por concluir. O caso do saneamento básico é paradigmático: prometido há décadas, continua com uma execução entre 70 e 80 por cento, praticamente estagnada. Não se compreende o destino de tantos recursos orçamentados. Terão sido apenas valores para constar nos documentos ou houve, de facto, investimento? Pelo montante disponível, deveriam estar realizados, no mínimo, cerca de 80 milhões de euros. Se foram aplicados, onde estão os resultados? Este é o retrato de uma má gestão que o voto pode, finalmente, corrigir.
Autor: Fernando Tavares Pereira