…durante a sessão “Desenvolvimento Sustentável do Mundo Rural – do Pinhal à Beira Serra” dinamizada pela candidatura de Mário Ruivo à Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista.
Participada por Sérgio Correia, António Campos e António Abranches, a sessão – moderada por José Francisco Rolo e apresentada por Manuel da Costa – versou sobre questões como o êxodo rural, envelhecimento populacional, erosão dos terrenos, incêndios florestais, retorno ao mundo rural e também sobre o trabalho associativo que tem vindo a ser dinamizado em torno das florestas.
As dificuldades em torno da gestão das ZIF, as mais valias do trabalho conjunto e os problemas resultantes do abandono da propriedade minifúndio começaram por ser referenciadas por Sérgio Correia, natural de Travanca de Lagos e profissionalmente ligado à floresta e ao mundo rural. Mas, foi sobretudo com António Campos – mítico militante socialista que para além de eurodeputado, ocupou também o cargo de secretário de Estado da Agricultura e do Fomento Agrário e é hoje o maior produtor de maçã bravo de Esmolfe – que se endureceu a crítica em relação às recém-criadas estruturas de organização florestal.
“É fundamental que as ZIF criem autonomia e não estejam só a parasitar e a gastar os fundos comunitários”, afirmou António Campos, defendendo que o Estado premeie aquelas que consigam atingir esse objectivo. Chegou até a propor soluções para a criação de autonomia e que passam pela produção de cogumelos de forma acelerada, pela promoção da caça e pelo pastoreio de cabras que – como disse – conseguem manter a floresta sempre limpa e sem material combustível para a propagação de incêndios, ao mesmo tempo que geram receitas.
Defensor da preservação das espécies folhosas próprias do ecossistema da região do interior, António Campos voltou ontem a manifestar-se contra o facto de “existir pinheiro e eucalipto por todo o lado”, dado que não se adequam à natureza, que se encarrega de os destruir através do fogo. “Deviam ser criadas grandes manchas de floresta ligadas ao ecossistema”, defendeu, constatando que “nós só produzimos o que não presta e que depois importamos madeiras valiosíssimas”.
Rolo elogiou iniciativa
A ideia de realização de um ciclo de debates por parte da candidatura de Mário Ruivo foi ontem alvo de elogios, destacando-se a consideração do presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, segundo o qual “a política não pode ser fulanizada”. “Esta candidatura lançou um modelo construtivo de fazer política confrontando projectos e criando este ciclo de debates”, sustentou.
