Correio da Beira Serra

Ermus Eddy ameaça levar o caso do Reino “independente” do Pineal ao Tribunal Europeu

Um baixo, franzino e corajoso belga continua a lutar contra um “reino” que se autodenominou independente numa quinta do concelho de Oliveira do Hospital e assegura que as autoridades portuguesas, em particular a CM de Oliveira do Hospital e o seu presidente, não impõem a legislação portuguesa a uma “seita” que continua a crescer.

Estamos no ano 2023. O Reino do Pineal, no concelho de Oliveira do Hospital, parece ter sido esquecido por toda a gente… Toda? Não! Um belga, proprietário de uma quinta que existe paredes meias com aquele agrupamento, continua a insistir junto da Câmara Municipal para seja aplicada a legislação portuguesa em relação àquele espaço. Ermus Eddy, de 66 anos, que foi o primeiro a denunciar a existência da “seita” liderada Água Akbal Pinheiro, continua a lutar contra aquela seita que considera estar a infringir diversas leis. Recentemente escreveu uma carta de cerca de 20 páginas à Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital que acabou por não ser lida naquele que é o principal órgão do concelho porque o seu presidente achou que era demasiada extensa e o português não era o melhor. Na missiva, Ermus relatava todo o processo. Explicava ainda que o Reino, que se diz independente de Portugal, continua a crescer. Diz que não pode suportar esta passividade e injustiça das autoridades portuguesas e promete levar o caso Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Vista das tendas e caravanas do reino do Pineal junto ao muro da quinta de Ermus.

“Se não tiver uma resposta por parte da Assembleia Municipal, vou levar o caso à embaixada da Bélgica e encaminhar o caso para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Não posso aceitar que as leis portuguesas não sejam acatadas por esta gente. Depois da intervenção que houve aqui, com muita polícia [1 de Agosto], já entrou mais uma caravana e foi montada mais uma tenda”, explica ao CBS este belga franzino, mas cheio de coragem. “Não me vão assustar. Por muito que tentem criar as condições para eu abandonar a minha quinta para que eles depois, eventualmente, a possam comprar muito barata, não o vão conseguir”, conta, mostrando-se agastado com aquilo que classifica como passividade da Câmara Municipal oliveirense e do seu presidente José Francisco Rolo. “Será que a Câmara Municipal já reconheceu a soberania do Reino do Pineal?”, questiona. “É o que parece”.

“O presidente José Francisco Rolo não pode dizer que o caso está na justiça e deixar que o ‘Reino’ se continue a expandir”, conta Eddy que acredita que existem várias irregularidades naquela seita. “Estou convencido que grande parte deles não está legal em Portugal. Além disso, as crianças não vão à escola [o tribunal terá, entretanto, obrigado duas crianças a frequentar o ensino regular], como obriga a lei portuguesa. Estranhamente ninguém toma medidas, particularmente a Câmara Municipal que tem visto todas as suas decisões ignoradas pelo grupo liderado por Água Akbal Pinheiro. Todas as construções estão ilegais e os membros da seita não respondem às solicitações do município para as legalizarem”, conta Ermus, esfregando a barriga. “Estas coisas revoltam-me, porque estou em Portugal desde 1989 e sempre cumpri as leis. Pensei que adquiria uma quinta para estar sossegado e agora tenho estas “seita a destruir toda o sossego deste espaço”, conta Ermus que vê ao longe, mesmo junto ao muro da sua quinta, elementos do Reino do Pineal Este belga acusa principalmente a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital de não exercer as suas competências, deixando que o caso vá caindo no esquecimento. Mas Eddy não desarma.

“Vou continuar a lutar para quem de direito actue e reponha a legalidade. As construções são responsabilidade da Câmara. Qualquer pessoa antes de construir tem de ter uma licença. Eles têm

Ermus na sua modesta casa que se encontrava isolada e onde tinha tranquilidade

todas as construções ilegais, não obedeceram ao aviso do município para as legalizarem, nem o fizeram na prorrogação de prazo que lhes foi concedido. Que mais precisa José Francisco Rolo para actuar? Porque razão esta seita tem um tratamento privilegiado?”, interroga-se, lembrando que não vai parar de lutar. “Se não houver uma resposta vou para o Tribunal Europeu”, conclui.

A 1 de Agosto, recorde-se, a Polícia Judiciária fez bucas no ‘Reino do Pineal’, em Oliveira do hospital, onde uma criança morreu, alegadamente por falta de cuidados médicos. Era um menino que nunca foi registado e cujo corpo terá sido cremado e as cinzas lançadas ao rio Mondego. A intervenção musculada das autoridades aconteceu depois de o caso ter sido divulgado a nível nacional pela revista Visão que tomou conhecimento do caso através dos trabalhos publicados pelo Correio da Beira Serra que deu voz às queixas dos vizinhos contra a seita, algumas apresentadas nas reuniões públicas da Câmara Municipal. Na altura, estiveram no local estão dezenas de carros de várias forças da autoridade, um magistrado do Ministério Público, tendo a GNR isolado a zona e cortado as estradas. José Francisco Rolo, entretanto, alega que o caso está a decorrer na justiça para onde a autarquia encaminhou várias queixas e que será quem tem de decidir. Algo que não convence Ermus Eddy insistindo que as construções ilegais devem ser resolvidas pela Câmara.

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