“Há muita gente que espera que o sonho se realize por magia. Mas toda a magia é ilusão. E ilusão não muda ninguém de lugar, pois a ilusão é o combustível dos perdedores”.
Na última reunião de câmara de 05/02/2015, o Sr. Presidente mostrou a publicação do resultado obtido pela equipa multidisciplinar assessorada pela empresa H2Org, referente aos trabalhos executados e desenvolvidos nos sectores da água e do saneamento, remetendo a sua explicação para a Assembleia Municipal de 13/02/2015, que se efectuou na passada sexta-feira.
Aquando da Reunião de Câmara, proferiu o seguinte: “houve alguém que escreveu numa crónica de opinião, que as receitas do aumento da água iam ser de 2 milhões de euros. Isto demonstra uma ignorância total, porque quem escreve é um ignorante, não é mais do que isso”. Posteriormente, na Assembleia Municipal, enriqueceu o seu discurso acrescentando “ incompetente” à adjectivação anteriormente usada…
Para que não haja dúvida sobre quem é ou quem são os ignorantes e incompetentes, escalpelizemos, então, a ignorância e a incompetência.
Começo por esclarecer que um comentário não é uma crónica de opinião, tendo o visado comentário sido assinado por “Guerra Junqueiro”, em 31/07/2014, no Jornal online CBS, que sustentava “que o aumento [da água] realizado foi, em média, superior a cinco vezes (5X) o prenunciado, e que a recuperação financeira deixa de ser de 400 mil euros para ser maior do que 2 milhões…”.
Seguidamente, passo a explicar aos Sr. Professor José Carlos Alexandrino, Sr. Professor Carlos Carvalheira e Sr. Engº Carlos Artur Maia, que continuam a não entender, a ignorar ou não discernir o que está escrito em tal comentário, os factos.
Não querendo ensinar ninguém, passo a explicar o cálculo efetuado, que não é mais de que uma comparação de triângulos, i.e., a vulgar e correntemente chamada regra de três simples, e que muito triste me deixa, pois todos fomos alunos do mesmo professor, que não permitia que um aluno seu passasse da 3ª Classe, se este tipo de problemas não soubesse resolver. O Sr. Presidente da Câmara anunciou que, aumentando a tarifa da água (e estamos a negligenciar as taxas do saneamento) entre 1,90€ e 5,60€, conseguiria recuperar 400.000,00€ (quatrocentos mil euros) numa primeira fase que seria de um ano. Então, a média ((1,90€+5,60€)/2) situa-se nos 3,75€ de aumento médio das tarifas da água e refletir-se-ia numa poupança de 400.000,00€/ano. (Posição anunciada pela CMOH e que não foi cumprida)
A realidade viria a mostrar-se bem diferente, confirmando-se escandalosos os aumentos tarifados relativamente aos pronunciados, variando estes entre 5,22€ e 32,72€, que, em media ((5,22€ + 32,72€)/2), se traduz em 18,97€ de aumento médio das tarifas . (Posição executada pela CMOH)
É, agora, muito fácil reparar que 18,97/3,75=5,059. Assim, o aumento executado foi, em média, mais de cinco vezes (5X) superior ao anunciado. Na realidade, foi 5,059 vezes maior do que o apregoado, logo a recuperação financeira a ele anexada é 5,059×400.000,00€=2.023.466.67€, sendo, como se constata, maior que dois milhões de euros.
Depois de ter mostrado onde está a ignorância, passo a demonstrar onde se encontra a incompetência que foi disfarçada por uma representação ilusória de uma tentativa falhada de exaltação dos resultados obtidos em comparação com os inicialmente apontados.
José Carlos Alexandrino apresentou este ano uma redução de 700.000€ com a despesa da água e saneamento, superando em 300 mil euros o valor a que tinha proposto, 400 mil euros. O que se esqueceram foi de informar que a poupança de 400 mil euros estava anexada aos 3,75€ de aumento médio das tarifas, e que este utilizado, 18,97€, cinco vezes maior, muda o referencial de 400.000€/ano para os 2.000.000€/ano, que se atingiria se as pessoas consumissem mais. O resto, para além de algumas exceções, são desculpas e pura demagogia.
A poupança em Oliveira do Hospital é proporcional ao consumo, i.e., os preços são tão elevados que quanto maior for o consumo dos oliveirenses, maior é a poupança do município. A ilusão da redução da despesa não passa do grande negócio do município que é a venda da água.
O eleito Luís Lagos, que muito se insurge contra os deputados socialistas mas que sempre defende o Sr. Presidente da Câmara, disse que este estava a conduzir muito bem o processo da água, logo após à incapacidade do Presidente da autarquia, mais uma vez, não conseguir responder às questões levantadas por António Lopes, nem rebater as suas afirmações (o que aconteceu em todas as situações deste frente a frente político entre Lopes e Alexandrino).
Na verdade, a boa condução deste processo e o seu êxito político seria alcançada se a poupança de 400.000€ fosse conseguida com as variáveis iniciais. Com as actuais variáveis, cinco vezes maiores, ficou bem longe disso, uma vez que 700.000€/2.000.000€=0,35, i.e o rácio entre o valor conseguido e o valor pretendido foi baixíssimo, ficando-se pelos 35% do objectivo, o que de acordo com o processo inicial representava apenas 140.000€ de redução (0,35×400.000€). Esta é uma aproximação real da ‘boa condução’ do processo.
A ilusão conseguida, que mereceu os habituais aplausos, não passou de uma poupança de 140.000€ e de uma entrada nos bolsos dos munícipes de 560.000€ (140.000€+560.000€=700.000€). Grande negócio que saca 560 mil euros do bolso do munícipe consumidor e chama-lhe poupança. Atingir somente 35% do que se propunham conseguir, é o êxito que reclamam e aplaudem, mas que não é mais do que pura incompetência.
Autor: João Paulo Albuquerque