Correio da Beira Serra

“Espero que o final das obras [nas piscinas] seja uma realidade durante a Primavera”

Carlos Ascensão: “a descentralização e a solidariedade territorial… têm de processar-se nos vários níveis…”

Celorico da Beira deverá receber nos próximos tempos a construção de uma Academia de Futebol promovida pela AF da Guarda. O projecto estimado em 650 mil euros é apadrinhado pelo município celoricense e a escolha da localização foi contestada pela CM da Guarda, mas o presidente da autarquia de Celorico da Beira referiu que esse é um não problema. “Tive oportunidade de falar pessoalmente com o Sr. Presidente da Câmara da Guarda, com quem tenho uma boa relação pessoal e institucional, e a questão ficou esclarecida e ultrapassada”, explicou Carlos Ascensão em entrevista ao CBS, na qual explica que as piscinas devem estar concluídas na Primavera. “Nunca foi a falta de financiamento o motivo para este atraso… Com a falta de algumas matérias primas decorrentes do Covid, por escassez de mão de obra, da responsabilidade do empreiteiro, o final da obra atrasou-se significativamente”, sublinha, assegurando que pretende “potenciar” os desportos de natureza”.

CBS – Quando foram estabelecidos os primeiros contactos para a instalação da Academia de Futebol em Celorico da Beira?

Carlos Ascensão – Há quase três anos, ainda no anterior mandato da AF Guarda. Provavelmente, todo este processo estaria numa fase mais adiantada se, entretanto, não tivesse surgido esta pandemia. E as vantagens de Celorico da Beira, do meu ponto de vista, são múltiplas: geograficamente, tem a melhor centralidade distrital; as melhores acessibilidades, tanto rodoviárias, como ferroviárias; infra-estruturas desportivas já existentes: dois campos de futebol, sendo que um é relvado. Vários balneários, Campos de Ténis, circuito de manutenção, etc., com um grande parque anexo para estacionamento de viaturas; 40 hectares de terreno aí disponível para uma intervenção imediata e eventual expansão futura, pertencentes à Câmara Municipal; melhores condições climatéricas no Inverno para a prática desportiva, quando comparado com a sede do distrito.

Qual a abrangência desta aposta da AF Guarda?

Este projecto visa criar uma infra-estrutura distrital, da responsabilidade da AF Guarda, para base de treinos das diferentes selecções distritais, masculinas e femininas, nos diferentes escalões e esferas do futebol: futebol de 11, futsal, futebol de praia…. Além disso, será também um centro de estágio para as selecções distritais e outras. Tudo isto, sem prejuízo para a prática desportiva dos clubes locais, nomeadamente o SC Celoricense, que sairão enriquecidos com a melhoria quantitativa e qualitativa da oferta disponível.

Tem alguma indicação de quando poderão iniciar-se as obras?

Não. Sabemos que a AF Guarda já enviou o projecto para a Federação Portuguesa de Futebol e agora há todo um conjunto de trâmites burocráticos e legais que, normalmente, levam algum tempo. Temos de ter a paciência e a serenidade de saber esperar porque acreditamos que este é um processo irreversível.

A escolha desta localização levantou alguma contestação por parte da CM da Guarda…

Estádio Municipal de Celorico da Beira

Relativamente a uma eventual polémica com a Câmara Municipal da Guarda, neste momento, é uma não questão. Tive oportunidade de falar pessoalmente com o Sr. Presidente, Sérgio Costa, com quem tenho uma boa relação pessoal e institucional, e a questão ficou esclarecida e ultrapassada. De resto, numa perspectiva de coerência do discurso e da acção, a descentralização e a solidariedade territorial, que todos nós por cá defendemos, tem de processar-se nos vários níveis: na comunidade entre países, num âmbito nacional, regional, distrital e local.

Estas infra-estruturas podem ajudar a alavancar a economia do concelho?

Claro que o concelho tem tudo a ganhar. Com melhor oferta de infra-estruturas desportivas, haverá, naturalmente, um incremento da prática e uma procura, interna e externa acrescida. Consequência imediata será uma mais valia para o comércio local e ainda para a criação de alguns postos de trabalho.

“… [piscinas] vai nascer um espaço novo, com qualidade, a partir de uma estrutura física pré-existente, o que, em termos de uma boa gestão de financeira que se exige, permite uma poupança de alguns milhões de euros”

Celorico da Beira continua a não ter piscinas, algo importante para os estágios de várias modalidades. Como está esse processo?

Temos consciência que as piscinas são sempre um equipamento fundamental e indispensável em termos de estágios desportivos de diferentes modalidades, não só para a natação. No caso concreto das nossas piscinas, que tardam a ficar concluídas, também é já um projecto irreversível. Por nossa vontade, e

Piscinas Municipais

respectivo cumprimento daquilo que são as nossas obrigações e ficou estipulado no processo de adjudicação das mesmas, elas estariam há muito a funcionar, ainda antes das eleições autárquicas. Infelizmente, por razões de natureza técnica do decorrer da própria obra, por falta e atraso de algumas matérias primas decorrentes do Covid, por escassez de mão de obra, da responsabilidade do empreiteiro, o final da obra atrasou-se significativamente.

 Mas porque é que só agora surgiu um contrato que assegurou fundos para essa obra…

Deixe-me esclarecer. Nunca foi a falta de financiamento o motivo para este atraso. Até porque, e muita gente não sabe, para a poder ser posta a concurso, tinha que estar a respectiva verba em orçamento, devidamente cabimentada. Como o dissemos na altura, sempre foi nossa intenção tentar ir buscar fundos que pudessem atenuar a factura do município, isto é, o nosso dinheiro, o dinheiro dos munícipes. Na altura, submetemos uma candidatura ao nível da CIM e da CCDR no âmbito da eficiência energética de aproximadamente 300 mil euros, cujo dinheiro teria que ser devolvido ao longo dos anos com a poupança adquirida. Entretanto, surgiu a oportunidade de submetermos uma candidatura no âmbito dos contrato-programa, com base em fundos nacionais para o efeito. O montante das candidaturas autárquicas, a verba atribuída era de 60 por cento do montante total do custo da obra, a fundo perdido. Felizmente para nós essa candidatura foi contemplada e foi-nos atribuída uma verba de aproximadamente 420 mil euros, tendo-nos já sido pago uma parte significativa. Não podendo haver acumulação de subsídios, obviamente que optamos por esta alternativa porque, para além de ser dinheiro a fundo perdido, a quantia atribuída é também maior.

“[Pista de Pesca da Ratoeira] … [estamos] a analisar qual o melhor enquadramento a dar aquele magnífico espaço”

Já existe uma data para a conclusão?

Espero que o final das obras seja uma realidade durante a Primavera. O que posso dizer é que vamos ter um equipamento que vai fomentar respostas muito satisfatórias… as piscinas, semiolímpicas, terão seis pistas e não cinco como acontecia anteriormente, possibilitando a realização de provas oficiais. Haverá um ginásio de manutenção devidamente equipado, para além de outras salas que darão resposta a uma oferta diversificada mais alargada, em vários âmbitos. Em suma, vai nascer um espaço novo, com qualidade, a partir de uma estrutura física pré-existente, o que, em termos de uma boa gestão de financeira que se exige, permite uma poupança de alguns milhões de euros.

 Existe também, entre os recursos do concelho, uma pista de pesca desportiva na Ratoeira que recentemente reuniu algumas dezenas de pescadores desportivos de várias zonas do país e de Espanha numa prova organizada por particulares. Tem algum projecto para tirar partido desta estrutura?

Pista de pesca da Ratoeira

Claro que queremos aproveitar. Estamos, em articulação com a junta de freguesia da Ratoeira e com o clube de caça e pesca do Carriçal, a analisar qual o melhor enquadramento a dar aquele magnífico espaço, sabendo nós que foram cometidos alguns erros de base na construção que, em termos técnicos, inviabilizam a realização de provas oficiais federadas. Vamos procurar dar solução a esse e outros constrangimentos.

“[A oferta em termos de prática desportiva] …será uma mais valia para o comércio local e ainda a criação de alguns postos de trabalho”.

 O município tem igualmente um protocolo com Associação de Basquetebol da Guarda que estabeleceu no concelho o seu centro de estágio. É também uma mais valia?

Fomos solicitados pelos respectivos responsáveis no sentido da associação sediar aqui em Celorico o centro de estágio e a respectiva utilização do nosso pavilhão aos fins de semana. Naturalmente que demos a nossa concordância e foi mais uma forma de enriquecermos a nossa oferta desportiva local.

Que outro projecto tem em mente a autarquia em termos desportivos?

Em termos desportivos, nós já temos neste momento algumas boas apostas, umas bem-sucedidas e outras em que existe margem para melhorar. Para além do futebol e basquetebol, já aqui referenciados, temos de aludir o bem-sucedido projecto do núcleo de karatê local, o parapente em Linhares da Beira, as provas de enduro nos magníficos circuitos em Cadafaz/Rapa, as provas de orientação, as provas de atletismo calendarizadas, as caminhadas que hoje são uma prática massiva, etc. Claro que queremos sempre mais e podemos sempre fazer mais e melhor.

…..

Sobretudo, aproveitar a nossa natureza e potenciar estas excelentes condições que temos para uma prática ainda mais constante e fecunda de desportos da natureza. Se as condições pandémicas o permitirem, queremos este ano reabilitar o “sportfast”, evento de grande sucesso em anteriores realizações. Claro está, com a abertura das piscinas pretendemos dinamizar a prática da natação, para todas as idades, para além de outras ofertas, ginástica, hidroginástica, dança e manutenção física que o espaço das piscinas irá proporcionar. Inerente a tudo isto, haverá também de uma oferta fisioterapêutica.

 

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