Correio da Beira Serra

Ex ministro da Economia veio a Oliveira do Hospital alertar para o perigo de Portugal seguir o caminho da Grécia

 

“Temos que dizer com voz cristalina que este caminho não resolve o problema e que a austeridade tem condicionantes”, afirmou sexta-feira o ex ministro da economia na tertúlia Fernando Vale organizada pela Comissão Política Distrital do PS, onde vincou a sua oposição ao modo como a “direita” tem gerido o país, empurrando-o para a “crise política”.

Para o europeísta convicto, para quem a a única solução de Portugal responder à cise “só é possível no âmbito da União Europeia”, o caminho que está a ser seguido tenderá a agravar ainda mais o estado atual do país, ao ponto de não ter dúvidas de que “o que vai acontecer é o que está a acontecer à Grécia”.

Vieira da Silva critica assim o discurso do governo do “custe o que custar para atingir as metas”, lamentando que não se tenha em atenção o que “muda em Portugal e no mundo”.

“Pode ser uma ideia suicidária”, avisa o socialista que não vê no aumento de impostos a melhor solução para ultrapassar a crise que afeta o país. “Se continuarmos a aumentar impostos, a economia afunda, deixa de criar riqueza e não se consegue pagar impostos”, assegura Vieira da Silva, considerando que “há um bom senso que deve ser preservado.

O socialista que na última legislatura foi responsável pela pasta da Economia identificou porém os pontos fracos da Economia portuguesa, apontando o desequilibro da balança comercial como um dos maiores problemas que afeta o país.

Para Vieira da Silva é importante que a economia portuguesa aposte “fortemente na inovação de pequenos bens e serviços”.

Sem deixar de admitir que num passado recente “o país tomou medidas que agora custam caro”, o antigo ministro lembra que a crise não é exclusiva de Portugal. “Permitiu-se um tal desvario no mundo, impôs-se um sistema de libertinagem económica e financeira que quando a bolha estoirou, a crise instalou-se nas empresas e de que maneira”, considerou, apontando o dedo “àqueles que ganharam à custa da União Europeia” e que “agora devem ser responsabilizados”.

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