É descapotável e com capacidade para duas pessoas o novo modelo automóvel, de marca “FBA” criado em Vila Franca da Beira por Fernando Borges Abrantes, mais conhecido por “Mariano”.
Totalmente inventado por Mariano, o carro apresenta-se como um misto de peças recuperadas num vulgarmente conhecido “papa-reformas”, num motociclo, num Fiat antigo e, de outros apetrechos produzidos pela força braçal do próprio inventor.
“Fiz o volante com duas argolas que fui batendo até fazer duas meias luas”, contou ao correiodabeiraserra.com, acrescentando que “o motor era de um papa-reformas e o manípulo das mudanças foi retirado do Fiat”.
Embora sem portas e sem tejadilho, o FBA de Mariano trabalha com um toque de chave e anda a gasolina de mistura. “Ainda dá 60 km/h”, referiu explicando que não pode andar a maior velocidade “porque a direcção começa a laquear”.
Fruto de uma grande dedicação do inventor, o FBA tem contudo uma longa história para contar. É que o protótipo chegou a fazer parte dos sonhos de Mariano que chegou a recear que um dia pudesse ficar “louco”, já que a solidão com que se debate desde que ficou viúvo, o levava a permanecer longas horas no interior da velha oficina a dar forma ao automóvel.
Com o carro na rua, Fernando Abrantes não resiste a dar uma voltinha pela terra. “No outro dia fui até ao Seixo, mas tenho medo porque não tenho papéis”, confessou, contando que as pessoas se mostram surpreendidas quando vêem o carro passar. Segundo disse, até já houve quem lhe quisesse comprar a viatura, mas a venda do FBA não está entre os planos de Mariano que, confessa necessitar mais de companhia do que de dinheiro. “Não o vendo por dinheiro nenhum”, realçou, revelando alguma dificuldade em quantificar o dinheiro que empregou no novo modelo. “Só os estofos custaram-me 70 Euros”, contou.
Com um passado ligado a invenções – fez uma máquina a vapor, santos e cascadeiras de milho em madeira, – Fernando Borges Abrantes diz que, por agora, o momento é de descanso. Tem, contudo, entre o planos fazer o tejadilho do novo carro. Mas, primeiro tem que proceder a um arranjo na velha oficina porque a “chuva já entra por todos os cantos”.
