Mais de um milhão de pessoas passaram pela Feira de São Mateus nos 32 dias da 634.ª edição, que decorreu entre 6 de Agosto e 6 de Setembro, em Viseu. O maior movimento foi registado a 30 de Agosto, com 57.990 visitantes, depois de o primeiro dia ter estabelecido um novo máximo de afluência numa abertura, com 56 mil pessoas. No encerramento, a 6 de Setembro, foram contabilizados 57.537 visitantes.
A forte afluência acompanhou uma edição com mais de 200 actividades e 227 operadores, à qual se juntaram 23 juntas de freguesia da região. Entre as novidades estiveram a primeira Feira do Livro da história do evento e, pela primeira vez, um concerto com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, iniciativas que alargaram a programação para além da componente comercial e de entretenimento.
Essa diversidade também se reflectiu na programação musical. Os Calema protagonizaram o concerto mais concorrido da edição, esgotando a lotação disponível e levando ao encerramento antecipado das bilheteiras.
O resultado da edição surge num momento em que a organização procura, ao mesmo tempo, reforçar a ligação da Feira à sua história. O presidente da Viseu Marca, José Silva Fernandes, definiu essa orientação na apresentação do programa: “A Feira tem 634 anos de história e a responsabilidade de ser a guardiã das feiras populares.”
Essa ideia de continuidade esteve igualmente presente no discurso do presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, que classificou o certame como “um activo popular com mais de 600 anos” e “a joia da coroa” da cidade. Na abertura, o autarca enquadrou a edição numa fase de mudança, definindo-a como “uma feira de transição para aquilo que queremos que ela venga a atingir no futuro”.
Foi também na abertura, a 6 de Agosto, que o Presidente da República, António José Seguro, visitou o recinto e recebeu a Chave da Cidade de Viseu. Na sua intervenção, destacou precisamente a dimensão que a Feira adquiriu para além do espaço do certame, considerando-a “um local de encontro da diáspora dos portugueses que aqui vivem” e “um lugar de expressão da capacidade e dinamismo comercial, económico e empresarial de Viseu”.
A ligação entre comércio, comunidade e actividade económica está, aliás, na origem da própria Feira. O certame nasceu como feira franca por carta concedida por D. João I, em 1392, e manteve ao longo dos séculos a ligação ao comércio e à actividade económica de Viseu. Mudou de localização e de configuração, incorporando progressivamente novas componentes, até chegar ao modelo actual, no Campo de Viriato.
É nessa evolução que se enquadra a actual Feira de São Mateus: a dimensão comercial mantém-se, mas o certame tornou-se também espaço de encontro, programação cultural e entretenimento. A 634.ª edição, segundo a organização, prolongou essa transformação sem romper com a origem da feira franca, cruzando uma história com mais de seis séculos com novas propostas dirigidas aos públicos actuais.
