O líder do Grupo TAVFER, Fernando Tavares Pereira, foi investido académico pela Academia de la Diplomacia numa sessão solene realizada esta quinta-feira, no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães. A instituição, fundada em Espanha e com vocação internacional, reúne diplomatas e personalidades de diferentes áreas da sociedade e promove o estudo, a diplomacia e as relações internacionais.
A cerimónia marcou a primeira presença da Academia de la Diplomacia em Guimarães e reuniu representantes de 13 embaixadas, incluindo 12 embaixadores. A sessão contou com a execução do Hino Nacional da República Portuguesa e do Hino da Academia da Diplomacia, seguindo-se as intervenções protocolares.
Fernando Tavares Pereira integrou o grupo de personalidades da sociedade civil investidas pela Academia da Diplomacia, oriundas dos meios empresarial, académico, jornalístico, institucional e profissional. Entre os distinguidos estiveram também o Administrador da Huawei Portugal, Diogo Madeira, o jornalista e ex-director do Expresso e vice-presidente do Grupo Impresa, Henrique Monteiro, o Consultor e Administrador da ENUPOR, Pedro Sampaio Nunes, e o Executivo de Alta Direcção e ex-CEO e Chairman da Efacec, Galp e Alstom Portugal, Ângelo Ramalho.
A sessão incluiu ainda a investidura de 12 embaixadores, que receberam o diploma e a insígnia da Academia da Diplomacia. Foram distinguidos os representantes diplomáticos de Angola, Moçambique, Austrália, Hungria, Ucrânia, Filipinas, Uruguai, México, El Salvador, Israel, Argentina e Bélgica. A 13.ª embaixada representada foi a Nigéria, que não teve o embaixador presente na cerimónia.
Também foi investido, em nome de outro diplomata, Algimantas Rimkunas, que foi Embaixador da Lituânia em Portugal entre 2007 e 2012 e é actualmente conselheiro do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia. Na mensagem enviada à cerimónia, recordou o trabalho desenvolvido durante o período em que esteve em Portugal no reforço das relações bilaterais entre os dois países.
O Chefe da Delegação da Academia da Diplomacia em Portugal, Jorge Antas de Barros, destacou na sua intervenção a importância da instituição num contexto internacional marcado por mudanças. “O mundo não está a mudar, o mundo já mudou”, afirmou, defendendo que a nova realidade obriga a repensar conceitos estratégicos e modelos de relacionamento internacional.
Jorge Antas de Barros salientou ainda a importância do diálogo e da diplomacia nas relações entre pessoas, instituições e Estados. “O diálogo constitui o primeiro instrumento de aproximação”, afirmou, acrescentando que é através da diplomacia que os Estados constroem canais de comunicação, estabelecem mecanismos de entendimento, protegem os seus interesses e procuram preservar relações pacíficas e construtivas entre as nações.
A intervenção foi seguida por uma apresentação de Santiago Urbina, em representação da Cigna Healthcare, dedicada ao tema “A saúde dos Diplomatas”. O responsável destacou a experiência da empresa junto da comunidade diplomática e das organizações internacionais e salientou as características específicas do serviço diplomático e as necessidades dos diplomatas e das suas famílias.
Santiago Urbina apresentou ainda o “Global Diplomatic Health Study”, um estudo desenvolvido pela Cigna Healthcare ao longo de vários anos em mais de 13 países, desenvolvidos e em desenvolvimento, para compreender as condições e situações que os diplomatas enfrentam regularmente. A investigação analisa a informação de acordo com factores como a cultura, a razão e a religião e compara também as situações vividas por diplomatas mulheres e homens.
O Presidente Executivo da Academia da Diplomacia, Santiago Velo de Antelo, destacou o simbolismo da realização da cerimónia no Paço dos Duques de Bragança e recordou o trabalho desenvolvido pela instituição. A Academia, afirmou, tem como objectivos valorizar e dignificar a missão do diplomata e promover uma acção conjunta que reforce a sua integração na sociedade.
Santiago Velo de Antelo recordou que a presença permanente da Academia em Portugal remonta a 2023, com a abertura de uma sede em Cascais, no Palácio Casa de Santa Maria, destinada à realização de actos institucionais, conferências e outras actividades diplomáticas.
O Presidente Executivo sublinhou também o carácter internacional da instituição, fundada em Espanha, mas com delegações autónomas. Segundo Santiago Velo de Antelo, diplomatas de quase uma centena de países fazem parte da Academia.
A Academia, que inicialmente se destinava exclusivamente a diplomatas, passou entretanto a integrar personalidades de outras áreas. “Tem sido muito positiva a contribuição resultante da entrada de académicos provenientes de áreas diferentes, ainda que não diplomáticas”, afirmou Santiago Velo de Antelo, acrescentando que a diplomacia também é exercida por militares, catedráticos, personalidades da cultura, do mundo empresarial e da sociedade civil.
No encerramento da sessão, o Presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, dirigiu-se aos novos académicos e considerou que a distinção representa “uma responsabilidade acrescida”. O autarca destacou ainda a escolha de Guimarães para acolher a cerimónia, considerando que representa um reconhecimento do papel da cidade, da sua história e do futuro que pretende construir.
Ricardo Araújo sublinhou a importância da dimensão internacional para Guimarães e apresentou a cidade como um território industrial que pretende reforçar a aposta na inovação, no conhecimento e na tecnologia. “De berço da nação, nós queremos ser também o berço de inovação”, afirmou, apontando áreas como as tecnologias médicas, o sector aeroespacial, a inteligência artificial, a supercomputação e os novos materiais.
O autarca deixou ainda aos representantes diplomáticos presentes o convite para conhecerem uma Guimarães que, além da dimensão histórica e patrimonial, pretende afirmar-se pela universidade, pelos centros de investigação, pelas empresas exportadoras e pelo investimento em tecnologia e inovação.
Ricardo Araújo defendeu, por fim, o reforço da cooperação internacional entre cidades, empresas, universidades, culturas, artistas, jovens e estudantes. “Os diplomatas têm essa grande responsabilidade de promover o diálogo e o entendimento entre os povos”, afirmou.
