Encerrados estão os Jogos Olímpicos (de Verão) 2024. Desta vez, a Cerimónia de Encerramento decorreu no Stade (Estádio) de France, repleto, sem chuva e, claro, fora do Rio Sena que fica para esta estória como um Rio impróprio para natação… E, tal como não poderia deixar de ser em cerimónia preparada por Franceses, lá tiveram eles quer dar o maior destaque ao seu (grande) campeão olímpico, o nadador Léon Marchand…
Ficam recordações. Mais ainda emergem várias frustrações no que a nós mais nos toca em termos da representação nacional. Nesta, “salvaram-se” Iuri Leitão e Rui Oliveira, uma dupla que, em parceria, alcançou o ouro, algo inesperado, numa modalidade (“Madison”) do ciclismo em pista. O Iuri já antes tinha ganho uma prata no ciclismo singular também em pista (modalidade “Omnium”) onde era mesmo um dos favoritos. Confesso que não entendo o desenrolar do ciclismo de pista…nas provas em pista.
Enfim, o “emprestado” Pichardo lá veio com a prata no triplo salto – fez 17,84 metros e precisava de, “apenas”, mais 3 centímetros para o ouro… – apesar de já ter sido ouro há 3 anos nos Jogos em Tóquio. Pela sua imediata reacção, deu para se notar que, para ele, a prata é como se fosse uma derrota… E também houve uma medalha de bronze para a Patrícia Sampaio numa das categorias do judo feminino, proeza que encheu a atleta de tanta alegria quase como se tivesse ganho o ouro… Entretanto já houve quem dissesse que, em função dos resultados, esta foi a melhor prestação de sempre de Portugueses em Jogos Olímpicos o que, quanto a mim, não é bem assim desde logo porque os dois ouros foram na mesma prova de ciclismo em pista.
A nosso ver, nas provas em canoagem aconteceram as nossas maiores decepções nacionais sem desprimor para qualquer dos atletas e do Pimenta em especial. É a vida.
Queremos assinalar como particularmente negativo – é mesmo inadmissível ! – que Portugal, nestes Jogos Olímpicos em Paris, não tenha apresentado equipas de – Futebol – Andebol – Volei – etc.
Pelo contrário, Espanha esteve “em todas” e, por exemplo, ganhou o ouro em Futebol de 11, masculino (grande final contra a França). Aliás, nisto do Futebol de 11 (masculino) em Selecções Nacionais, a Espanha ganha (quase) todas também. Pelo andar da carruagem – estude-se as razões do enorme êxito Espanhol… – a Espanha prepara-se para dominar o Futebol nos próximos grandes campeonatos e nos vários escalões etários, Equipas A incluídas. Veremos o que acontece no próximo Mundial de Futebol…
Vamos já a seguir – de 28 de Agosto a 8 de Setembro, também em Paris – entrar nos Jogos Paraolímpicos – para atletas portadores de deficiências físicas – que têm 27 modalidades atléticas onde muitos atletas Portugueses se têm destacado. Deles, dos de hoje, se espera novos feitos, no caso Paraolímpicos.
Prepare-se desde já e com mais competência os próximos Mundiais em Atletismo 2025 (Verão).
Temos a percepção que estes Jogos Olímpicos ficaram aquém de anteriores em termos de grandes proezas atléticas (embora estas não sejam justamente comparáveis fora dos respectivos contextos temporais), a produzir recordes mundiais, mesmo olímpicos. Enfim, belas prestações do nadador francês Léon Marchand e do “inesperado” vencedor, Letsile Tebogo (Botswana), dos 200 metros masculinos, mais dos 3 mil metros obstáculos femininos com a aqui “esperada” Winfred Yavi (com as cores do Bahrein). Glória para a vencedora do ouro nos 100 metros “rasos” femininos, a jovem Julien Alfred (23 anos) que, ao vencer esta sempre espectacular prova, pôs no mapa do desporto o seu pequeno país de origem, Santa Lúcia – situado nos mares das Caraíbas – apesar desta Atleta fazer a sua vida desportiva fora dele.
E saia uma vistosa coroa olímpica, de louros ou de oliveira, para o vencedor da prova da Maratona – Tamarat Tola (Etiópia) – que levou a medalha de ouro naquela que é a mais célebre e celebrada prova Olímpica. E glória idêntica para a maratonista Sifan Hassan campeã e recordista olímpica e também craque noutras distâncias. Salientar as duas medalhas de ouro do ciclista belga Remco Evenepoel que fez a sua “obrigação” enquanto um dos melhores do mundo em ciclismo de estrada. Falar também do sérvio Novac Djokovic, ouro no ténis masculino – finalmente ! – troféu que o projecta, agora ainda mais seguramente, como o melhor tenista de sempre. E em segundo lugar, com prata, ficou aquele ainda jovem tenista, o espanhol Carlos Alcaraz, que, muito provavelmente, virá a ser o próximo…
As equipas Norte-Americanas em Basquetebol masculino e feminino foram as campeãs olímpicas e também não fizeram mais do que a sua obrigação apesar de terem tido forte resistência por parte das equipas congéneres Francesas. Enfim, se há 40 e poucos anos atrás, os atletas tidos como “profissionais” pudessem disputar Jogos Olímpicos, também Maradona teria sido campeão olímpico em futebol pela Argentina como vieram a ser, por exemplo, Messi e Di Maria… Já disse e repito que Maradona foi o futebolista que mais fez com menos (equipas…).
Muito destaque entretanto para o cubano Mijain López, ouro pela quinta vez consecutiva – é recorde – em Jogos Olímpicos, como lutador (superpesados) da modalidade mais clássica das Olimpíadas, a luta greco-romana, prova em que os antigos lutavam todos nus. E destaque para os enormes desempenhos, do “atleta mais completo do Mundo”, no caso o vencedor do Decatlo (dez provas diferentes em dois dias seguidos), o norueguês Markus Rooth e da vencedora do Heptatlo (7 provas diferentes), a belga Nafissatou Thiam, no caso “a atleta mais completa do Mundo”. Destaque também para os vencedores – com recordes mundiais – do Pentatlo Moderno (5 provas diferentes), nos homens de Ahmed Elgendy, pelo Egipto, e da vencedora, em prova idêntica mas no feminino, a húngara Michele Gulyas. “Só” o semi-deus Hércules, dos antigos Romanos, com os seus lendários “12 Trabalhos de Hércules” fez mais que estas “máquinas” humanas das Olimpíadas…
Bravo ! – para todos(as) e sobretudo – Bravo ! – para os(as) campeões(eãs)!
É agora necessário, e cumpre-nos reclamar sem tibiezas, que as Entidades Nacionais vocacionadas comecem já a preparar – aliás com maior competência – os próximos Mundiais em Atletismo (Verão) que vão ter lugar no próximo ano de 2025. É mesmo um caso de defesa da dignidade e do prestígio nacionais !
Agosto 2024
(Grande fã dos Jogos Olímpicos e dos(as) Atletas)
Nota “post scriptum” : – acabo de ler a notícia do falecimento do Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). Pode dizer-se que “morreu em serviço” pois ainda tinha ido à abertura destes Jogos Olímpicos. Faça-se o luto e que descanse em paz!
