Correio da Beira Serra

Fornecedor anuncia acção judicial contra a Câmara de Oliveira do Hospital para pagamento de mercadoria

Manuel Sales diz que houve um acordo para fornecer produtos; o presidente da Câmara contrapõe que nunca existiram requisição nem autorização para a compra.

Manuel Sales anunciou na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital que a empresa que representa vai recorrer aos tribunais para reclamar valores que considera em dívida por uma entrega de produtos de limpeza ao município. Além de contestar a versão da autarquia sobre a encomenda, que rejeita qualquer responsabilidade formal na aquisição daqueles produtos alegadamente em promoção, Sales associou o impasse ao colaborador da autarquia Carlos Inácio e a uma alegada animosidade pessoal do presidente da Câmara para com a sua pessoa.

O empresário afirma que a mercadoria foi recebida nos estaleiros municipais a 2 de Janeiro, mas a empresa só foi informada da rejeição da encomenda cerca de seis meses depois. Sales afirmou ter um documento que comprova a recepção dos produtos, alegadamente em promoção, por funcionários municipais e disse que o fornecimento fora acordado com Carlos Inácio, um elemento ligado ao PS que fez parte das listas que levaram José Carlos Alexandrino e José Francisco Rolo ao poder e que mal se terá reformado conseguiu um lugar na autarquia.

Sales acusou a autarquia de só ter comunicado à empresa, por carta, a rejeição da encomenda seis meses depois de a mercadoria ter sido recebida. Responsabilizou ainda Carlos Inácio pelo impasse. Disse que o colaborador não respondeu às acusações que lhe dirigiu nas duas Assembleias Municipais anteriores porque, na sua interpretação, sabia o que tinha sido acordado. Alegou ainda que Inácio lhe reconheceu razão e que terá manifestado essa posição a terceiros, manifestando algum desagrado a situação. A afirmações de Sales e não foram confirmadas, nem desmentidas por Carlos Inácio que se manteve mais uma vez em silêncio.

Sales deixou ainda a ideia de que todo o problema terá como causa alguma hostilidade, que não especificou, do actual presidente da Câmara Municipal para com a sua pessoa. “O diferendo e a animosidade que este responsável nutre por mim têm raízes profundas em episódios anteriores”, afirmou, dirigindo-se ao presidente da Câmara. Não especificou, na intervenção, a que episódios se referia.

O presidente da Câmara também não se referiu a estes aspectos, mas contrapôs que nunca foi pedida uma cotação à empresa, emitida uma requisição ou cabimentada a despesa. Por isso, sustentou que não houve qualquer acto formal de aquisição e que os bens foram entregues sem autorização. Disse que o município já pedira a retirada dos produtos dos estaleiros. José Francisco Rolo considerou positivo que o processo siga para tribunal, permitindo esclarecer o caso: “Ainda bem que o assunto vai ser dirimido em tribunal e eu estarei na primeira linha para defender os interesses do município, afirmou.

Esta foi a terceira intervenção de Sales sobre o diferendo na Assembleia Municipal. Perante isto, o presidente da Assembleia Municipal José Carlos Alexandrino considerou que aquilo já não é um caso para ser discutido naquele local. “Espero que não se inscreva mais para falar deste assunto. As pessoas quando se sentem prejudicadas recorrem aos tribunais”, concluiu o autarca.

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