Correio da Beira Serra

Gags. Autor: Fernando Roldão

Palavra inglesa que significa efeito cómico, gesto ou expressão que provoca o riso, sendo que por vezes basta uma careta ou expressão facial para nos rirmos.

Na gíria ouvimos várias vezes a expressão “tô gag”, o que significa que alguém ficou “passado” por ouvir algo inesperado ou absurdo, o que nos provoca o riso, muitas vezes de desdém.

Em português usamos a palavra “apanhados” para situações semelhantes e das quais não conseguimos manter um ar sisudo, sobretudo quando saindo de pessoas que têm o dever de não fazer comédia com assuntos sérios.

Com o incremento da televisão, têm surgido vários comediantes a explorar esta vertente da comédia e do riso, que nos proporcionam momentos verdadeiramente insólitos, resultantes das reacções humanas.

Há centenas ou talvez milhares de vídeos espalhados pela “internet” que nos deliciam com a sua originalidade, imaginação e competência para a comédia.

É difícil fazer rir sem entrar numa moda que teve o seu tempo, sobretudo em Portugal, de utilizar o vernáculo no seu estado mais puro, ultrapassando todas as linhas da coerência, civismo e educação.

Os escritores e actores destes vídeos, “gags”, têm todo o meu respeito e consideração, pois esforçam-se para nos proporcionar bons momentos de descontracção, sem ultrapassar as linhas que atrás referi.

Tenho saudades do “velho teatro de revista”, onde, a brincar e com inteligência, se fazia humor, resultado de alguma censura que existiu em Portugal.

Temos que tirar o chapéu e, com todo o respeito, aplaudir estes verdadeiros artistas, porque até para ser comediante é preciso ser um bom profissional, que respeita, honrando o seu público e a sua profissão.

Agora vamos falar de outro tipo de comediantes, que não fazem rir, antes pelo contrário, mas que insistem em “actuar” sem respeito pelo seu público e profissão.

É insuportável olhar para certas personagens, dirigentes e políticos em representação dos seus cargos.

Certos cargos da nação, desde simples autarcas, passando por deputados e ministros, terminando no Presidente da República, que, devido à sua posição hierárquica na nação, deveria dar-se ao respeito para com o país e as suas instituições, para poder ser respeitado.

É intolerável que um Presidente da República, como o anterior, por exemplo, tenha actuado em diversas “selfies”, “gags” ou apanhados, que desacreditaram o respeito que esta figura pública merece e que ela própria deveria honrar, não entrando nestas banalizações.

Eu respeito as instituições portuguesas, mesmo não concordando com a sua actuação, tendo o direito de criticar, com o devido respeito. Contudo, exijo que os titulares destes cargos os respeitem igualmente.

O mais chocante destes “gags” é que, em vez de nos fazerem rir, nos fazem ficar indignados por tamanho desplante e gozo.

Afirmações dignas de apanhados de humor negro, onde o riso é substituído por macabras interpretações, sem respeito pela posição que ocupam na sociedade portuguesa, levando à sua frente um chorrilho de “piadas” de mau gosto, amargas e ofensivas.

O “gag” das gémeas é o exemplo máximo do que refiro no último parágrafo, onde a falta de carácter para exercer um cargo público é chocante. Não é nada, nem chegando a ser um comediante, pois só nos fez rir de pena por o termos eleito.

A vida de um país não é uma comédia!

O novo Presidente da República vai pelo mesmo caminho, usando um discurso irreal, absurdo e desfasado da realidade. Afinal, concorreu para comediante ou presidente?

Uma das últimas declarações efectuadas no Luxemburgo levou, de novo, esta apetência para os “gags”, que, como a maioria, são de humor negro.

Defende a abertura das fronteiras sem controlo, incrementa ou nada faz para resolver ou atenuar este gravíssimo problema. Então, se há tantos a entrar, porquê convidar ou incentivar os emigrantes portugueses a voltarem para Portugal?

Só pode ser para os apanhados, pois qual é o português que, com o nível de salários e condições que usufrui nesse e noutros países, larga tudo para vir para Portugal ganhar o ordenado mínimo ou lá perto?

Os comediantes que afirmam à boca cheia que Portugal precisa dos imigrantes dão um péssimo espectáculo, onde nem aplausos merecem.

Não me vou alongar, pois há tantos exemplos de “apanhados” de qualidade duvidosa espalhados pela internet, que não vou perder o meu tempo, nem gastar espaço com tão ruins actores.

Sou adepto dos “gags”, “apanhados” e afins, mas produzidos por bons e competentes comediantes, que nos colocam na face um sorriso mais aberto, mais franco, não amarelo e forçado, que nós usamos há mais de 50 anos.

Está na hora de escolher: bons actores, bons políticos ou maus comediantes que usam “sensações e percepções” para justificarem o que não têm coragem de admitir?

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

 

 

 

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