… um bom escritório de advogados, conta bancária disponível e interpretações das Leis a contento dos interessados.
Além do povo, outras “classes de pessoas” cansadas dos processos da Casa Pia e do Freeport, receberam “com inusitado interesse” os primeiros episódios da novela Manuel Godinho, sinal de que o país continua a produzir enredos com “qualidade” para nos encarrapitar nos lugares cimeiros de uma “coisa” que deve vir dos tempos de “Adão e Eva”, com nome feio, é certo, mas se assim tem de ser, assim será: corrupção!
As notícias de que vamos tendo conhecimento pecam por escassas; a seu tempo virão outras… e outras, mais “intérpretes”, e os episódios (da novela!) surgirão em catadupa. Vai ser, sem dúvida, um inverno glorioso para a Comunicação Social (o Público bem precisa de grandes títulos, vende mal, trocou de director, enfim…) e nós, o povo e as “outras classes de pessoas”, havemos de entender as burlas de que somos vítimas, os enganos, as “cunhas”, os favores de ocasião, mesmo uns dinheiritos “extras”, como se fossem gorjetas – que “importância” tem toda uma panóplia de pequenas vigarices, perante o império (ao que se diz!) de “colarinho branco” que um tal de Godinho governou?
Melhor do que ele, Godinho, na esperteza genial da grande burla e adjectivos conexos, só o Alves dos Reis que – contam os historiadores –, “… com uma imensa capacidade de persuadir os outros, tornou-se, no decurso de um ano, um dos homens mais poderosos da Europa”!
Se peco pelo exagero, que me perdoem todos os falsários já conhecidos ou os que hão-de dar corpo e visibilidade a novas primeiras páginas dos órgãos da comunicação social.
Alves dos Reis, nos anos vinte do último século, como sabemos, conseguiu ludibriar o Estado português em milhões, indo ao ponto de colocar em circulação notas falsas /“oficiais” do Banco de Portugal, de quinhentos escudos, impressas na mesma firma onde o Governo mandava executar as suas encomendas de papel-moeda.
No currículo, Alves dos Reis tem mais espertezas e sabedorias, como ter adquirido com um cheque sem cobertura “...a maioria das acções da companhia dos Caminhos de Ferro Transafricanos de Angola, em Moçâmedes”, “foi engenheiro” sem nunca ter feito o curso, e outros feitos de admiração e espanto!
O tal de Godinho, de Ovar, estou em crer, ao pé de Alves dos Reis é ainda…“aprendiz de vigarista”!
O homem está agora a contas com a Justiça, o que leva a supor que tão cedo não fará do seu “sócio” Armando Vara…presidente do “meu” Benfica, onde já foi administrador da SAD, no ano de 2001, e potencial candidato.
Uff …. do que nos livrámos!!!
Carlos Alberto (Vilaça)