O horário adoptado pelo município de Oliveira para a realização das Assembleias Municipais continua envoltos em polémica. A última reunião voltou a não contar com a presença, entre outros, do líder da oposição Nuno Vilafanha, nem com o presidente da União de Freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços, Nuno Oliveira. Choveram críticas. O social-democrata Rafael Costa acusou os socialistas de defenderem causas nos discursos e praticarem o contrário. O deputado Luís Lagos considerou que a política se deve fazer durante o dia, mas é necessária a presença de todos e apontou o sábado como o dia mais apropriado. Já António Lopes censurou a persistência de quem decide num horário que só prejudica a discussão democrática ao deixar, por exemplo, de fora o presidente de Junta que representa mais eleitores, bem como o líder da oposição. Perante esta torrente de criticas, José Carlos Alexandrino, que tinha começado por elogiar a presença do que considerou de caras novas no lugar destinado ao público, recuou e acabou por admitir que se deve estudar um novo horário, depois da actual experiência que partiu de uma proposta do seu executivo.
As criticas mais corrosivas partiram de António Lopes que questionou mesmo o PS, a mesa e o
“O senhor presidente e a mesa sentem-se bem nesta Assembleia não estando aqui o líder da oposição e o presidente da maior Junta que representa 5708 eleitores, 27 por cento do eleitorado? Porque é que o fazem? Será por esse presidente de Junta [numa alusão a algumas criticas feitas por Nuno Oliveira à forma como Rodrigues Gonçalves dirige os trabalhos] ter tido aqui por duas vezes uma atitude de grande dignidade que, porventura, não agradou ao presidente da Assembleia Municipal em exercício. Gostava de saber isso?”, questionou, sublinhando que, por ele, existe disponibilidade para trabalhar em qualquer horário. “Até começava às 9h00. Mas é preciso bom senso. Quero que estejam aqui os representantes dos eleitores. Dirigi esta Assembleia Municipal em minoria e nunca cá tivemos os problemas que temos agora. Os senhores andam a brincar com a democracia”, rematou.
Rafael Costa e Luís Lagos defendem descentralização das reuniões pelas Freguesias
Também o elemento do CDS/PP, que se mostrou contra a realização dos trabalhos pela noite dentro, mas reconheceu que é importante a participação de todos e a necessidade de se rever o actual estado de coisas. “Sou favorável ao moderno diurno. Um bom dia seria o sábado. Todos ganhávamos com isso”, defendeu Luís Lagos.
Os eleitos Luís Lagos e Rafael Costa, de resto, querem levar mais longe
Luciano Figueiredo critica Nuno Oliveira
A única voz dissonante do coro crítico e do silêncio sobre o assunto da bancada do PS veio do eleito do PS Luciano Figueiredo, para quem a adesão do público (nesta sessão encontravam-se dez pessoas no lugar destinado ao público) neste novo horário supera de longe a que se verificava anteriormente. “Só não há aqui mais gente porque ainda não tomaram consciência que as Assembleias municipais começam às 15h00. Se fosse à noite contavam-se pelos dedos de uma mão”, explicou, criticando depois a ausência do presidente da União de Freguesias de Oliveira do Hospital e S. Paio de Gramaços. No seu entender, se Nuno Oliveira não pode estar presente só tem uma coisa a fazer: encontrar quem o represente “ O presidente da Junta de Oliveira se não podia vir fazia-se representar. É uma questão de vivência democrática”, acusou.
A polémica dos horários das Assembleias Municipais começou no dia 11 de Dezembro quando as reuniões passaram das habituais 21h00 para as actuais 14h45. Logo nessa primeira sessão surgiu um incidente quando o Presidente da Assembleia Municipal em exercício, Rodrigues Gonçalves, impediu o eleito pelo PSD, Nuno Caetano, de participar nos trabalhos. Por solidariedade para com o colega, o presidente socialista da Junta da União de Freguesias de Oliveira do Hospital e S. Paio de Gramaços, Nuno Oliveira, pediu para a sua presença não ser considerada, uma vez que também tinha chegado fora de horas. “Não me sentiria bem com a minha consciência se não fizesse isto. Quero que a minha participação nesta reunião não seja considerada e que e as votações em que participei sejam retiradas. Posteriormente justificarei a minha falta pelas vias próprias”, explicou na sua derradeira intervenção, sublinhando que, tal como o colega, também ele tinha chegado com um atraso significativo. De seguida, sentou-se nos lugares destinados ao público. Foi o início de uma saga que continuou na sessão da última sexta-feira, que além das criticas no salão nobre, contou também com uma dura troca de mails entre o líder do PSD oliveirense, Nuno Vilafanha, e Rodrigues Gonçalves.
