O Hotel Turismo da Guarda, encerrado desde Outubro de 2010, vai ser requalificado pelo Grupo Lince Hotels, que prevê investir entre 15 e 20 milhões de euros na recuperação do edifício. O contrato de arrendamento por 50 anos, com opção de compra a partir do quarto ano, foi assinado esta segunda-feira [14 de Setembro] pelo Turismo de Portugal e pelo grupo hoteleiro que pretende reabrir a nova unidade dentro de dois anos.
“A solução está encontrada, está contratualizada e agora é o tempo de fazer o investimento”, afirmou no final da cerimónia, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, sobre o edifídio edifício projectado pelo arquitecto Vasco Regaleira e inaugurado em 1947.
O administrador e CEO do Grupo Lince Hotels, Domingos Correia, estima que a intervenção represente um investimento “entre 15 a 20 milhões de euros” e que o projecto será desenvolvido pelo arquitecto Carvalho Araújo, autor da adaptação do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, também gerido pelo Grupo Lince Hotels e a intenção é transformar o edifício numa uma unidade de cinco estrelas, com um spa de alguma dimensão e duas piscinas. O grupo pretende ter como público-alvo os mercados espanhol e norte-americano, apostando numa oferta orientada para a qualidade do serviço.
“Eu vim cá e achei isto é um crime, olhando para o potencial do turismo em Portugal, que está num crescimento fantástico. O edifício em si tem um carisma”, afirmou Domingos Correia, que admitiu ter ficado surpreendido com o potencial do imóvel e com o facto de o hotel estar encerrado há 16 anos.
O responsável do grupo considera que a unidade terá de oferecer mais do que alojamento para conseguir atrair visitantes. “Um hotel só para a Guarda não iria lá, terá de ter ferramentas e actividades que ocupem os hóspedes, para se conseguir americanos, espanhóis”, afirmou.
O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, lembrou as cinco tentativas anteriores para reabrir o Hotel Turismo, que classificou como “cinco desilusões”. “O hotel não reabre por decreto, tem, pela primeira vez, um nome, um contrato e uma data. É a prova de que a pressão da Guarda teve efeito”, afirmou, destacando que “faltava um hotel de bandeira na cidade mais alta de Portugal”.
O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, recordou as várias fases atravessadas pelo processo e considerou que a assinatura do contrato encerra esse percurso. “O que estamos hoje aqui a fazer é a assinatura do contrato com a empresa que vai, a partir de agora, apresentar o projecto à Câmara Municipal, que já o está a desenhar, e a partir daqui lançar a obra física para a recuperação do hotel”, afirmou.
O governante destacou ainda a ambição apresentada pelo Grupo Lince Hotels, que poderá ultrapassar as expectativas inicialmente criadas para a unidade, através do reforço das infra-estruturas e da adaptação dos espaços às exigências actuais do mercado.
O Grupo Lince Hotels venceu o concurso público lançado pelo Turismo de Portugal, em 31 de Março, para a reabilitação e requalificação do edifício, com opção de compra a partir do quarto ano. O contrato estabelece um arrendamento por 50 anos, com uma renda mínima mensal de 3.858,34 euros. Caso exerça a opção de compra, o grupo terá de pagar um pouco mais de 6,8 milhões de euros pelo imóvel.
