A Iniciativa Liberal de Coimbra criticou, em comunicado intitulado “Estalou o verniz na “coligação” de esquerda e quem pagou foi o ITAP”, a tentativa de adesão do município à Adeptoliva, retirada da ordem de trabalhos na reunião extraordinária da Câmara Municipal realizada a 20 de Abril, por falta de condições para aprovação.
A proposta apresentada pelo executivo liderado pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, apresentava, na leitura do partido, fragilidades jurídicas, financeiras e de governação que impediam uma decisão informada. “Deliberar sobre uma operação desta natureza sem os instrumentos necessários é uma imprudência institucional que os munícipes de Coimbra não podem pagar”, lê-se no comunicado.
Entre os pontos levantados está a ausência de um contrato de cessão da autorização de funcionamento do ITAP, deixando em aberto condições de gestão, mecanismos de supervisão e cláusulas de salvaguarda. A Iniciativa Liberal considera tratar-se de “uma delegação em branco”.
O partido aponta ainda a indefinição quanto ao futuro da empresa municipal Prodeso, responsável pela escola, admitindo que a operação poderia conduzir à sua extinção sem que esse cenário estivesse clarificado, uma omissão que classifica como “uma grave falta de respeito institucional”.
O modelo de governação da Adeptoliva, entidade que gere a Eptoliva em parceria com municípios como Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil, é igualmente questionado. A presidência da direcção cabe ao presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, o que colocaria Coimbra numa posição sem controlo directo sobre a gestão. “Esta assimetria entre contribuição e poder é inaceitável”, sustenta.
No comunicado, o partido defende a construção de um ecossistema próprio de ensino profissional em Coimbra, articulando escolas, empresas e instituições, e rejeita uma integração sem estratégia definida. “Uma parceria restrita a Oliveira do Hospital, Tábua e Arganil não é uma política de escala. É uma solução de conveniência”, lê-se.
A proposta foi retirada, mas o tema mantém-se em aberto, com a Iniciativa Liberal a exigir a apresentação de um plano estratégico para o ensino profissional, defendendo que Coimbra “merece uma escola profissional de referência, enraizada no seu território”.
