Correio da Beira Serra

Íman de Salazar tem muita procura no comércio Santa Comba Dão

Em vésperas da abertura do Centro Interpretativo do Estado Novo

Depois de avanços, recuos e alguma polémica, o Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência, prepara-se para abrir as portas ao público em outubro, com uma exposição sobre a censura. Numa nota informativa que reproduzimos, o Município de Santa Comba Dão refere que o projeto resulta de um protocolo assinado entre a edilidade e o Arquivo Ephemera, liderado por José Pacheco Pereira. O historiador afirma que o protocolo pretende acabar de vez com qualquer suspeita de saudosismo da ditadura e abrir caminho ao estudo histórico do período que vai de 1926 a 1974, a mais longa ditadura na Europa Ocidental.

Curiosamente, a imagem do homem que foi a principal figura de um sistema opressivo que governou o país com mão-de ferro durante 36 anos, continua a figurar como atrativo turístico ou negócio na cidade onde nasceu. Numa livraria do centro, a Enseada, deparamos mesmo com um retrato do político, uma excelente reprodução, em magnete de frigorífico, a exemplo do que acontece com cópias de monumentos mais emblemáticos dos locais turísticos por onde passamos e que costumamos adquirir para levarmos como recordação.

A proprietária, Irene, que está à frente do estabelecimento há 32 anos, revelou-nos que pediu autorização ao sobrinho-neto de Salazar para comercializar essa imagem e, segundo revela. ”a procura tem sido alguma, até mesmo da parte de pessoas que ali se deslocam propositadamente vindas de fora do concelho.”

“Os lisboetas falam mal, mas acabam por levar. O pessoal do norte leva mais, porque acha piada”, sublinhando que o “país deve muito a Salazar, pôs o país em ordem, não fez como o Hitler que matou milhões de pessoas; a sua memória deve ser preservada, pois acabou por fazer alguma coisa em prol dos portugueses, o que não acontece com estes que nos governam atualmente.”

E acrescenta: “Qual é o principal ícone aqui de Santa Comba Dão, aquele que motiva muitas pessoas a visitar a cidade? É o Salazar. Costumamos ter livros sobre a sua vida, canecas e lembramo-nos agora de elaborar esta foto”.

A proprietária da loja não tem dúvidas em referir que esta iniciativa implementa o comércio tradicional, movimenta o turismo, como acontece com a ecopista do Dão.”

Irene, que não se deixou fotografar, acha mesmo que o futuro Centro Interpretativo do Estado Novo é importante para agitar a cidade, “vai trazer pessoas, já veio tarde a sua inauguração”.

E numa resposta a uma nossa última questão: “Se receamos sermos considerados saudosistas? Nós vivemos num país democrático, a PIDE já acabou.”

Texto e Fotos: José Leite

Exit mobile version