Correio da Beira Serra

Incêndio em Arganil: “Depois de 2017 estamos mais bem preparados”

O engenheiro florestal e perito em incêndios florestais Carlos Trindade considera que a experiência dos incêndios de 2017 contribuiu para uma resposta mais preparada ao fogo que deflagrou este sábado no concelho de Arganil. Em declarações à SIC Notícias, o especialista destacou o trabalho realizado nas aldeias e a actuação dos meios de combate desde as primeiras horas.

Carlos Trindade, que vive em Vilarinho do Alva, uma aldeia próxima do local onde começaram as ignições, disse ter acompanhado a evolução do incêndio desde o início. “Houve aqui um trabalho inicial muito forte e de grande aplicação dos meios”, afirmou, acrescentando que os meios “estiveram a trabalhar muito bem e a evoluir de forma positiva”.

Para o especialista, uma das diferenças em relação ao passado está na preparação do território e das populações. “Devido à experiência de 2017 estamos mais bem preparados, já se nota muitas das faixas limpas em volta das aldeias, das povoações, ao longo dos caminhos, o que facilita muito a primeira intervenção e ajuda a prevenir maiores danos”, explicou.

Carlos Trindade destacou também a importância dos meios aéreos no combate às chamas e considerou que a chegada da noite poderia facilitar a operação, devido ao aumento da humidade. “Os meios aéreos têm sido essenciais e penso que nas próximas horas, com a chegada da noite, com a humidade da noite, será mais fácil dar por extinto este incêndio”, afirmou.

Apesar da evolução positiva que identificava ao final da tarde, o engenheiro florestal reconheceu a preocupação vivida nas localidades próximas do incêndio. “Foram momentos intensos de grande preocupação aqui nas aldeias”, afirmou.

Pelas 17h46, segundo a informação da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, estavam mobilizados no incêndio de Pombeiro da Beira, na freguesia de Murganheira, em Arganil, mais de 670 operacionais, apoiados por cerca de 200 veículos e 11 meios aéreos.

A experiência evocada por Carlos Trindade remete para os incêndios de Outubro de 2017, que atingiram fortemente o concelho de Arganil. Mais de 145 casas foram destruídas, 85 das quais eram habitações permanentes. Os incêndios de 15 de Outubro provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos em várias zonas do país.

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