Basta dar uns passeios pela cidade e facilmente se constata que os visitantes, de férias, primam pela ausência, procuram outras paragens, ou simplesmente não fazem usufruto desse direito. Como os tempos não correm de feição à classe remediada, os oliveirenses afinam pelo diapasão nacional… O coração da cidade continua a ser a Rua António Ribeiro Garcia de Vasconcelos: três bancos, repartição de finanças e algumas lojas de “topo” justificam esta primazia.
A rua do Colégio continua a ser “bonitinha” mas nunca se assumiu como uma zona comercial por excelência, e há outras que, do mesmo modo, definham a olhos vistos.
A crise económica anda por aí, e não será nos tempos mais próximos que toda esta zona possa ser um “centro comercial a céu aberto”, como foi “sonhado” pelo presidente da Câmara após as obras que, em tempos, tiveram lugar no centro da cidade. O Correio da Beira Serra tentou medir o pulso à cidade, conversou com turistas, espreitou os interiores dos estabelecimentos comerciais, e ficámos a saber que, na sua maioria, os visitantes gostam da cidade, consideram-na limpa e arejada, mas não entendem a razão porque há tão pouco movimento comercial, à excepção dos supermercados.
Opinião unânime: a cidade tem pouco para oferecer ao visitante, de forma continuada e com interesse, não há um motivo sequer que justifique uma visita, à excepção das Igrejas. Os museus (na cidade e na Bobadela) eram de todo desconhecidos, mas as pessoas abordadas sempre foram dizendo que sabiam da existência de umas “…ruínas romanas nos arredores”; sobre as obras no Anfiteatro Romano, silêncio absoluto…
Junto de alguns comerciantes, o panorama tinha nuances de “cinzento” A Lúcia Laranjo, cabeleireira, a meio da tarde estava do lado de fora do seu estabelecimento, olhando o movimento das (poucas) pessoas que circulavam na rua do Colégio; a sua maior preocupação é a falta de negócio, lamenta-se pela ausência de estacionamento, e sobre a extinta FICACOL, acha que faz falta à cidade.
A jovem Vera Soares trocou Lisboa por Oliveira, porque, “é uma cidade sossegada”, (…) mas pouco desenvolvida…”, mora em Avô, e a sua maior preocupação é a falta de emprego, embora de momento esteja a trabalhar.
Também ela se mostra desiludida com o movimento do mês de Agosto, talvez por isso a loja tenha “promoções” a “… preços convidativos”.
Júlio Soares não tem poiso certo, vende telemóveis junto das empresas e veio de Seia tentar o negócio, “que está uma miséria, a concorrência é enorme”; impossível comparar Oliveira do Hospital com Seia, onde “… há pessoas nas ruas, a cidade cresceu bastante, ao contrário de Oliveira, que não passa da cepa torta…”. Como a Vera, recusou pousar para a fotografia: “não sou fotogénico”!
Ana Álvaro, florista, reconhece a importância da FICACOL e não entende as razões da sua extinção. –“ Devia voltar, sem dúvida. Trazia movimento à cidade, que bem necessitada está. A cidade precisa disso, animação nas ruas e não concentrar tudo no mesmo sítio para que as pessoas venham e se espalhem”. As obras, na sua opinião, são um flagelo para o negócio, “nunca mais param”…
Na minha opinião, a Feira devia retornar, talvez noutros moldes para aproveitar o excelente espaço que é o Parque do Mandanelho”.
Carlos Alberto
