Correio da Beira Serra

João Dinis defende desenvolvimento integrado, saúde e prevenção de incêndios em Oliveira do Hospital

O cabeça de lista da CDU apresentou um projecto para as 17 freguesias, criticou a concentração de investimentos na cidade, a falta de médicos de família e a insuficiente prevenção de incêndios.

O cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, João Dinis, defendeu hoje que a sua candidatura tem um projecto de desenvolvimento integrado que abrange todas as 17 freguesias do concelho, garantindo igualdade de direitos e apoios. “Retomamos uma proposta que já é nossa, distintiva, que é apresentar aos oliveirenses um projecto de desenvolvimento integrado para o concelho de Oliveira do Hospital, e que vá mesmo para além de quatro anos, além de um só mandato. Um projecto de desenvolvimento integrado que cubra, que englobe em igualdade de direitos e de apoios as 17 freguesias do concelho de Oliveira do Hospital”, afirmou durante a apresentação da lista da CDU que decorreu no Parque do Mandanelho.

O candidato criticou mesmo a concentração de recursos na freguesia da cidade, embora explique que o problema não está naquilo que é investido naquela autarquia, mas sim o que não para as restantes freguesias. “É necessário equilibrar os níveis de investimento da Câmara e não concentrar 85 por cento do investimento na cidade”, frisou, sublinhando que é “difícil, mas possível a CDU eleger eleitos para a Assembleia Municipal ou mesmo um vereador”.

João Dinis alertou também para a necessidade de garantir acesso efectivo à saúde para todos os utentes, e não apenas investir em obras de fachada. “Não basta remodelar o edifício do centro de saúde. Subjacente, à frente da obra, tem que estar já a atribuição de médicos de família a todos os utentes do nosso município… De pouco nos servirá um edifício modernizado se não houver médicos de família no Serviço Nacional de Saúde”, referiu o candidato revelando que existem entre 7 mil a 8 mil utentes ainda sem médico de família. João Dinis criticou também a desactivação de extensões e polos de saúde espalhados pelo concelho, reforçando que “a proximidade dos serviços públicos não é um luxo, é uma necessidade”. “Um concelho moderno garante acesso efectivo à saúde para todos, não apenas uma fachada bonita”, disse.

O ambiente e a prevenção de incêndios são dois eixos centrais no programa apresentado pela CDU e João Dinis lamentou os danos recentes e a perda das bandeiras azuis nas praias fluviais do Alva e do Alvoco foi provocada precisamente pela falta de reacção pós-incêndios. “Não precisamos de espalhafato televisivo, como aquele que fez o presidente da Câmara nos incêndios de Agosto. Temos é de planear, trabalhar no terreno e envolver as populações, porque sem isso não há plano que resista. Estamos com este flagelo dos incêndios a dar cabo do ambiente, do sossego e da vida”, continuou, sublinhando que é essencial “democratizar o funcionamento das comissões municipais de protecção civil e de defesa da floresta”, envolvendo as juntas de freguesia.

Defendendo que há obras estruturantes na rede viária essenciais para o desenvolvimento do concelho, João Dinis lembrou que o IC6 continua “parado no meio do mato, à entrada do concelho de Oliveira do Hospital, alvo de promessas sucessivas do PS, do PSD e do CDS, e que acaba sempre adiado”, criticando a falta de continuidade para ligar o concelho à A25 e à Covilhã, via IC7. O candidato salientou ainda a importância de avançar com o IC37, entre Seia e Viseu, lembrando que Viseu é hoje “um núcleo fortemente atractivo, e está a pouco mais de metade da distância de Coimbra”. “Nós aqui, enquanto periferia do distrito de Coimbra, também ganhamos se ficarmos mais e melhor ligados ao distrito de Viseu e à sua capital”. O candidato da CDU frisou ainda que estas ligações não são apenas infra-estruturas, mas “uma condição para o desenvolvimento económico e social de todo o concelho”.

A necessidade de descentralizar investimentos é, segundo João Dinis, fundamental não apenas para dinamizar a economia, mas também para apoiar o repovoamento da região. “É preciso que as zonas mais carenciadas recebam atenção e oportunidades concretas”, sublinhou. Nesse contexto, propôs a instalação de uma central fotovoltaica no Polo Industrial da Cordinha, na Freguesia de Seixo de Beira, para atrair novas empresas e criar postos de trabalho. “Encontramos, neste momento, muita gente de estrangeiros que se instalaram na Zona da Cordinha e também no próprio concelho… Precisamos de criar postos de trabalho para esta gente porque todas as políticas que possam ser aplicadas devem convergir para um objectivo fundamental: repovoar a nossa região, repovoar as nossas aldeias”.

O candidato defendeu a valorização do património do concelho, destacando as Palheiras dos Fiais da Beira, “um património rural bastante único, que nem sequer ainda é património de interesse municipal” e falou sobre a falta de infra-estruturas desportivas, criticando aquilo que classificou de “paradoxo do estádio municipal”, uma estrutura que, assegura, continua a receber investimentos avultados, mantendo-se incapaz de receber boa parte das provas. “O clube estava na Liga 3 e teve de ir jogar para Tábua. Agora, já joga outra vez no estádio municipal, mas para isso teve de descer de divisão. Isto é um paradoxo, que só acontece aqui neste concelho. Porquê? Porque a Câmara está a enterrar um milhão de euros neste estádio municipal… em vez de partir para a construção de um complexo desportivo municipal moderno, flexível e acessível. Que tivesse várias valências e aberto a vários tipos de desporto, às próprias freguesias e às associações do município”.

O cabeça de lista da CDU concluiu apelando a uma gestão responsável, planeada e centrada na população. “Precisamos de menos propaganda a nível dos responsáveis da Câmara e da Assembleia Municipal e de mais acção concreta e ponderada, com mais capacidade de planeamento… É preciso saber fazer melhor e também começa por ter que saber o que é que de facto mais convém, mais interessa, mais necessário se torna para que as pessoas vivam mais felizes no nosso concelho. Portanto, nós queremos contribuir para um concelho com gente feliz, com um concelho em progresso, um concelho onde se possa viver em segurança e em harmonia entre as gentes que cá estão e as gentes que para cá queiram vir. Podem contar com a CDU”.

João Abreu propõe desenvolvimento rural integrado e reforço de serviços nas freguesias

O presidente e recandidato à Junta de Freguesia de Meruge, João Abreu, por seu lado, sublinhou a necessidade de uma visão integrada para o desenvolvimento do concelho, criticando a aposta em projectos isolados e megalómanos que, na sua opinião, não garantem crescimento sustentável. “Hoje, não há, por parte do município, uma estratégia de desenvolvimento integrado do concelho. Apostamos em coisas pontuais, em investimentos megalómanos, e transformam-se no alfa e no ómega do desenvolvimento. Mas essas medidas não são a chave para o desenvolvimento”, declarou.

O candidato defendeu a aposta na pequena indústria, no comércio local, no artesanato e no turismo, destacando a importância das unidades de base para o desenvolvimento rural. “Quando existem, são importantíssimos para o desenvolvimento integrado do concelho. Ao contrário disso, aposta-se na macrocefalia. Todo o investimento municipal concentra-se na cidade e isso cria desigualdades profundas para as outras freguesias”, explicou.

Para João Abreu, a estratégia de desenvolvimento deve incluir também a recuperação populacional das aldeias e o fortalecimento dos serviços de proximidade. “Temos um exemplo concreto em Meruge. A freguesia recuperou população porque as pessoas viram respostas efectivas dos serviços locais e iniciativas culturais que transformam o espaço onde vivem em lugares públicos e acolhedores. Isto podia ser generalizado a todas as freguesias, se houvesse verbas e critério justo na distribuição”, afirmou. “A Estratégia Local de Habitação, por exemplo, concentra investimentos em duas ou três freguesias, quando seria muito mais importante recuperar pelo menos uma casa em cada freguesia para jovens casais”, criticou, referindo também a importância de manter equipamentos essenciais nas freguesias pequenas, como o jardim de infância em Meruge. “Tem cinco crianças, mas é uma estrutura fundamental, não apenas para a qualidade de vida das famílias, mas também para a ligação das crianças à sua terra de origem. Isto garante que queiram continuar a viver nestas aldeias no futuro”, frisou.

O ambiente e a floresta foram dois outros eixos do discurso. João Abreu alertou para a ausência de uma estratégia de replantação e conservação do território. “As catástrofes acontecem e não há um plano integrado de reflorestação. É essencial que a nossa floresta seja resiliente, com espécies autóctones, e que existam mecanismos que permitam recuperar os recursos hídricos, como os açudes do Vale do Alva, que estão destruídos”, concluiu, defendendo que estes elementos podem ser também uma mais-valia turística e económica.

Exit mobile version