Correio da Beira Serra

João Dinis denuncia pressões do PS em Oliveira do Hospital e pede “oxigénio democrático” para o concelho

João Dinis critica hegemonia socialista e aponta “pressões e aliciamentos” nas eleições autárquicas

A Coligação Democrática Unitária (CDU) denunciou o que considera ser uma falta de pluralismo e de respeito pelos direitos democráticos no concelho de Oliveira do Hospital, acusando o Partido Socialista (PS) de exercer uma “hegemonia político-partidária” que limita a participação e a diversidade de expressão política. A posição é expressa num comunicado assinado por João Dinis, recém-eleito presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira, divulgado após o acto eleitoral do passado dia 12 de Outubro de 2025, um domingo.

Segundo a CDU, o processo eleitoral decorreu “de forma tranquila e bem participada”, mas “num ambiente que ainda deixa a desejar” em termos de liberdade democrática. O comunicado refere que “muitos cidadãos oliveirenses foram pressionados e aliciados para integrar as listas do PS em várias freguesias”, o que, segundo João Dinis, “fere a dignidade dos eleitores e empobrece a vida democrática local”.

Apesar das críticas, a CDU sublinha que alcançou um dos melhores resultados de sempre no concelho, ao vencer, com maioria absoluta, as eleições nas freguesias de Meruge e de Vila Franca da Beira, esta última recentemente desagregada. Para João Dinis, trata-se de um “feito notável”, que coloca a coligação a gerir “tantas freguesias quanto o PSD”, reforçando assim a presença comunista no território.

O dirigente comunista agradece às populações de Meruge e de Vila Franca da Beira “por terem boa memória e espírito de justiça, ao voltarem a confiar nos candidatos e nos projectos da CDU”. Acrescenta que “as populações sabem que a CDU é de confiança e faz obra” e reafirma que “não se vão arrepender de terem confiado em nós, uma vez mais”.

No entanto, o comunicado reconhece uma descida na votação obtida para a Câmara e para a Assembleia Municipal, em comparação com as autárquicas de 2021. A estrutura admite preocupação com esse resultado, mas recusa qualquer desânimo. “A luta continua”, lê-se no texto, que atribui a quebra de votos a “circunstâncias que não dependem directamente da CDU” e à “enorme desproporção de meios e recursos propagandísticos” entre as candidaturas concorrentes.

A CDU critica igualmente o que designa por “tratamento antidemocrático” da “grande” comunicação social nacional, acusando-a de persistir na exclusão das iniciativas e campanhas eleitorais da CDU. “É já uma prática tão persistente quanto antidemocrática, com influência directa nos resultados eleitorais”, afirma o comunicado, acrescentando que “também por isso, resistir já é vencer”.

No plano político local, João Dinis chama a atenção para a hegemonia socialista, afirmando que o PS “continua a dominar a vida autárquica em Oliveira do Hospital”. Embora reconheça o “êxito eleitoral indiscutível” do PS, incluindo a vitória na maioria das freguesias, o dirigente comunista alerta que “o problema põe-se agora nos resultados práticos a atingir democraticamente com essa hegemonia político-partidária”. “O concelho precisa de oxigenar a vida autárquica, espartilhada que tem andado com a ditadura das maiorias do PS”, defende.

O comunicado refere ainda as declarações do presidente da câmara, José Francisco Rolo, proferidas na noite eleitoral, quando o autarca afirmou que pretende respeitar as oposições e tratar todas as freguesias por igual. João Dinis responde que “a CDU vai manter-se atenta e actuante” à evolução do mandato socialista.

A análise da CDU estende-se também aos restantes partidos. O comunicado considera que o PSD sofreu “uma derrota significativa” em Oliveira do Hospital, “ao contrário do que aconteceu a nível nacional”, embora reconheça as vitórias sociais-democratas em Lagares da Beira e Alvôco de Várzeas. Quanto à coligação “Oliveira, o Motivo”, apoiada pelo CDS-PP, a CDU entende que esta “camuflou o partido sob uma aparência de independência”, conseguindo, ainda assim, eleger um vereador. O Chega, por seu lado, “esvaziou-se na votação obtida e ainda bem”, conclui João Dinis.

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