Deputado do Chega garante que acusação é de “má-fé” e que processo acabará arquivado, Parlamento levantou imunidade para permitir investigação
O deputado do Chega, João Tilly, garante que a transferência de 150 euros que motivou o levantamento da sua imunidade parlamentar correspondeu a um donativo para o seu canal de Youtube e não para o partido. “Esse dinheiro foi para o meu canal, não tem nada a ver com o partido”, afirmou o parlamentar eleito por Viseu, recordando que, em 2021, disponibilizou uma conta bancária e um contacto de MB Way para quem quisesse “contribuir para o canal ou poder ajudar”.
Em entrevista ao Jornal Santa Marinha, o deputado reforçou a sua posição. “Não sei do que se trata. De facto, recebi a acusação de que haveria suspeitas de que existia um patrocínio ilegal para o partido. O que está lá é a minha conta pessoal, não é a do partido. Todos os ‘youtubers’ do mundo recebem ajudas para os seus canais. Colocarem uma procuradora, um inspector dedicados a isto, a verificar todas as minhas contas para descobrirem que alguém me deu 150 euros, que não é crime nenhum,… e, quatro anos depois, imputarem isto ao partido é manifesta má-fé. Fico lisonjeado porque é a segunda vez que me levantam a imunidade parlamentar e que sou notícia a nível nacional. A primeira foi arquivada e esta também o será”, declarou.
O Parlamento levantou a imunidade do deputado para que seja constituído arguido e interrogado no âmbito de suspeitas de participação na atribuição e obtenção de financiamento proibido. Em causa estará uma angariação de fundos através de um vídeo publicado em Dezembro de 2021, no qual Tilly divulgou os dados oficiais do Chega para donativos, mas também o contacto da filha como alternativa.
O líder do Chega, André Ventura, considerou que o caso “tem natureza pessoal e aconteceu antes de Tilly ser deputado” e insistiu que “o partido nada tem a ver com isto, nem sequer foi chamado ou envolvido no processo”. Ainda assim, admitiu que poderão ser retiradas consequências. “As regras são sempre iguais, seja quem for. O deputado vai ser ouvido, ele já me explicou, e caso se chegue a uma conclusão haverá consequências”, afirmou. Ventura acrescentou que está em causa “uma monetarização de 150 euros pela conta de Youtube” e garantiu que no final fará a avaliação “sem se refugiar em lugar nenhum”.
