O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, destacou, hoje, na abertura do Festival do Borrego Serra da Estrela DOP, na Carrapichana, em Celorico da Beira, o papel dos pastores na prevenção de incêndios, na preservação da biodiversidade e na fixação da população no interior. O certame termina este domingo, mas a iniciativa prossegue a partir de amanhã (26 de Outubro) até 1 de Novembro, com a sexta Semana Gastronómica do Borrego Serra da Estrela DOP, que envolve 20 restaurantes de seis concelhos.
“Vamos imaginar que não tínhamos pastores nem agricultores. Sei o que teríamos: mato, incêndios e destruição”, afirmou o governante, alertando para o risco de abandono dos terrenos e sublinhando que a pastorícia contribui para a gestão e a protecção do território. “A pastorícia articula-se com a agricultura. É economia, é coesão territorial, é comida no prato, mas é também a biodiversidade das nossas raças, que não se podem perder. É gastronomia, é atracção turística e é protecção civil”, declarou José Manuel Fernandes.
O ministro sublinhou ainda que o trabalho dos pastores gera benefícios ambientais que abrangem toda a sociedade. “O pastor também produz bens públicos e bens públicos europeus, contribuindo para a qualidade da água, para a qualidade do ar, para a qualidade dos nossos alimentos e para a diminuição das emissões [de gases com efeito de estufa]”, afirmou.
A valorização da pastorícia foi associada à necessidade de garantir condições para que as populações permaneçam no interior. “Temos de ter orgulho na palavra pastor”, disse o governante, defendendo que o pastoreio, a agricultura, a certificação dos produtos e a pequena agro-indústria são fundamentais para fixar população e promover a investigação e a inovação nos territórios rurais.
“É desta forma que conseguimos fixar a população. Isto é coesão territorial”, afirmou, considerando que os habitantes do interior devem ter condições para constituir família, encontrar emprego e construir casa sem serem obrigados a procurar oportunidades nos grandes centros urbanos.
“Significa ter o direito de constituir aqui uma família, se assim o desejarem, ter emprego, construir uma casa e não serem obrigadas ou empurradas para os grandes centros, onde se concentram as oportunidades”, acrescentou. “E há outra coisa que vos posso dizer: os grandes centros urbanos também agradecem que consigamos manter a população nestes territórios, porque, desta forma, há menos pressão sobre a habitação e sobre o trânsito”, sublinhou o governante que à chegada à Carrapichana, ao final da manhã, também mostrou os seus dotes musicais, ao juntar-se ao grupo Forno Musical para tocar concertina e cantar uma música.
Semana gastronómica prolonga-se até 1 de Novembro
Embora o Festival do Borrego Serra da Estrela DOP termine este domingo, a programação gastronómica continua de 26 de Outubro a 1 de Novembro, com a sexta edição da Semana Gastronómica do Borrego Serra da Estrela DOP. A iniciativa reúne 20 restaurantes de seis concelhos, numa aposta na promoção dos produtos locais e na dinamização da restauração.
Em Celorico da Beira participam o Cellorico de Sabores, a Cova da Loba, o Hotel Quinta dos Cedros, o Hotel Mira Serra, com o Flor do Cardo, o Muralhas de Celoryco, O Taco, a Quinta do Lago, o restaurante A Gare e o Varanda do Mondego.
Em Gouveia aderem o Ponte dos Cavaleiros, o restaurante Sandra, O Cunha e a Fonte dos Namorados. A lista inclui ainda O Valério, em Mangualde, o restaurante Olea, no Museu do Azeite, em Oliveira do Hospital, o Parador Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, e, no concelho de Seia, o Abrigo da Floresta, o Museu do Pão e o restaurante Abrigo da Montanha, no Sabugueiro.
O festival e a semana gastronómica, segundo o município de Celorico da Beira, pretendem promover os produtos locais, atrair visitantes e valorizar a pastorícia e as tradições ligadas à criação de ovinos na Serra da Estrela.
