Correio da Beira Serra

Jovem maestro oliveirense vence Prémio Literário Associativista António Azenha Gomes

Rui Marques

O maestro oliveirense Rui Marques, de 28 anos, venceu por unanimidade a primeira edição do Prémio Literário Associativista António Azenha Gomes, com a obra “Música, associativismo e mobilização social – As Tunas no contexto do associativismo cultural português”. O fundador da OHphicina das artes, de Oliveira do Hospital, recebeu o prémio, na noite de domingo, no Casino da Figueira, numa cerimónia da Associação de Colectividades do Concelho daquela cidade que serviu para comemorar o dia do associativismo.

Explicando que a sua obra consistiu em colocar no papel um conjunto de reflexões sobre as temáticas da música e do associativismo, algumas delas apresentadas oralmente em fóruns nacionais e internacionais nos últimos anos, Rui Marques confessou igualmente que procurou transmitir neste trabalho o resultado de uma investigação que tem vindo a desenvolver acerca “do indiscutível papel cultural e social desempenhado por grupos musicais instituídos no âmbito do associativismo”, com especial enfoque na actividade das tunas em Portugal.

“Foi no seio do associativismo que iniciei um processo de aprendizagem que me levou a encarar a música como actividade profissional e onde me iniciei como professor e maestro”, disse ao CBS, lembrando que este prémio acaba por ser “o reconhecimento de um trabalho que, apesar de académico, foi feito em colaboração com associações”. “É uma forma de trazer para o debate práticas musicais que não são habitualmente objecto de estudo no âmbito universitário”, conta.

O trabalho acabou por receber elogios do presidente do júri José Augusto Bernardes, docente universitário e director da Biblioteca Joanina, que disse ter sido “muito gratificante ler este trabalho”. “Não foram muitos os trabalhos a concurso, mas foram de muito mérito”, explicou, adiantando que é preciso pensar o associativismo de forma a corresponder “às necessidades das pessoas como elas são hoje”. “É necessário um grande esforço dos dirigentes e de quem tem poder a nível nacional e autárquico. O associativismo justifica um apoio mais esclarecido”, defendeu o docente universitário.

Rui Marques partilha destas opiniões e defende uma orientação que leve as associações a fazerem parte de uma parcela fundamental da dinâmica local. “É que, principalmente nos meios mais pequenos, têm um papel importantíssimo ao nível social, cultural e desportivo. Portanto, a gestão dos recursos, que cada vez são menos, tem de ser feita em função da qualidade do trabalho desenvolvido pelas associações”, rematou.

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