A constituição do executivo da Junta de Freguesia de Midões, no concelho de Tábua, voltou a falhar na noite de ontem, depois de a proposta apresentada pelo presidente, Paulo Portugal, eleito pelo PS, ter sido chumbada com cinco votos contra, do PSD/CDS e do Chega, e quatro a favor, do PS, mantendo o impasse que se arrasta desde as eleições autárquicas de Outubro de 2025.
Paulo Portugal responsabiliza a coligação PSD/CDS pela situação, acusando-a de ter alterado o sentido de voto face a posições anteriores. O presidente da Junta afirma que esteve disponível para negociar com a segunda força mais representada, mas lembra que, numa fase inicial, recusou dialogar com o Chega, por não o considerar um partido democrático.
O autarca sustenta ainda que as renúncias de membros eleitos, tanto da coligação Correr por Tábua como do Chega, dificultaram a constituição do executivo e que a entrada de novos elementos do PSD/CDS comprometeu a confiança política necessária para um entendimento.
Num comunicado recente, o PSD de Tábua referiu ter aceite uma proposta do PS para viabilizar o executivo, condicionando esse acordo à composição da Assembleia de Freguesia de acordo com a representatividade eleitoral, incluindo PS, PSD/CDS e Chega.
Paulo Portugal rejeitou essa solução, por considerar que ficaria em minoria na Assembleia de Freguesia, cenário que, no seu entender, poderia comprometer a governação.
Na reunião, o presidente afirmou que não lhe cabe convocar novas eleições, indicando que terão de ser desencadeados os procedimentos legais para o efeito.
A proposta levada a votação incluía apenas elementos afectos ao PS, não integrando nomes da oposição, ao contrário do que o próprio presidente tinha admitido em declarações anteriores.
Sem acordo entre as forças políticas, a Junta de Freguesia de Midões continua sem executivo constituído e sem data definida para a resolução do impasse.
