A elevação da Lage Grande, em Meruge, a geossítio do Estrela Geopark Mundial da UNESCO é o destaque da edição deste ano do Ciclo do Pão, iniciativa que se realiza desde 2010 e regressa no próximo domingo, 20 de Setembro, com um programa dedicado às tradições associadas à cultura dos cereais. O afloramento granítico, onde decorrem as principais actividades do evento, foi integrado na categoria de Modelado Granítico, com o código GW25, um reconhecimento que a Junta de Freguesia de Meruge reivindica há várias décadas e que, segundo a autarquia, reforça o empenhamento na preservação das tradições e da cultura ligadas à faina dos cereais.
O presidente da Junta de Freguesia de Meruge considera que o Ciclo do Pão permite manter viva uma prática ancestral e mostrar todas as etapas associadas à produção do cereal. “Este acontecimento é muito importante porque mantém viva uma prática ancestral, em que se demonstra todo o ciclo do pão, desde a sementeira, tratamento, colheita e malha do milho na Lage Grande. Não é folclore, é uma tradição milenar”, afirma João Abreu.
O autarca explica que o projecto deverá culminar com a recuperação do moinho do rio Cobral, propriedade da Junta de Freguesia, mas cuja intervenção está estimada em 150 mil euros. “É um moinho tradicional que deveria fechar este ciclo”, afirma, acrescentando que a autarquia já pediu apoio à Câmara Municipal, por não ter capacidade financeira para suportar sozinha o investimento. João Abreu lembrou ainda que já apresentou uma candidatura ao programa +Interior, mas a mesma acabou, entretanto, recusada, apesar dos elogios ao projecto, com a justificação de que existe uma estrutura similar a menos de 20 quilómetros, o Museu do Pão, em Seia. “Uma justificação que não tem pés nem cabeça, mas pronto…”, lamenta João Abreu.
A edição deste ano realiza-se pela primeira vez na Lage Grande depois de o afloramento granítico ter sido classificado como geossítio na categoria de Modelado Granítico, com o código GW25, pelo Estrela Geopark Mundial da UNESCO. O presidente da Junta considera o reconhecimento “uma grande vitória” e sublinha que foi em torno daquela estrutura natural que a comunicada de local se desenvolveu.
A programação do evento começa às 8 horas com a Caminhada “Milho Rei”, percurso pelos prados e campos envolventes, com passagem por um moinho tradicional. Às 10 horas, no Prado do Chão de Várzea, haverá uma paragem para a ceifa do milho e para a degustação da “Petica”, que inclui sardinha “albardada” e queijo curado durante meses no cereal.
Às 11 horas será inaugurada uma segunda unidade de produção no Forno Comunitário de Meruge, onde ao longo do dia serão confeccionadas variedades de pão como broa, trigamilhos e pão de mistura, além de bôlas de carne, chouriça e bacalhau.
A recriação da faina dos cereais prossegue às 16 horas, na Lage Grande, com a “descasca” e a “malha a mangual” do milho. No final será servida uma merenda tradicional, com petinga em molho de escabeche, bolos de farinha triga e arroz doce de anis. A organização prevê ainda a possibilidade de surgirem espigas de “milho rei”, tradição associada a momentos de convívio e aos beijos de roda.
O programa inclui também, pela primeira vez, um Passeio de Tractores, com um percurso por várias localidades do concelho, além de bancas de produtos regionais disponíveis após o almoço.
O Almoço Solidário será servido às 13 horas, no salão da Associação dos Amigos de Meruge, tendo como prato principal o Arroz de Suã. A receita, tal como a da Caminhada, reverte integralmente para as obras de construção do Lar, que se encontram em fase de finalização.
A animação musical começa depois do almoço, com o Grupo de Concertinas “Sons da Serra” e o Rancho Folclórico “Camponesas do Alva”, de Avô, que participará também na recriação etnográfica.
A Junta de Freguesia enquadra a escolha da data na conclusão das colheitas, na tradição de pagamento das rendas agrícolas em cereal pelo São Miguel, a 29 de Setembro, e na proximidade do equinócio de Outono, a 23 de Setembro. A iniciativa é dinamizada pela Junta de Freguesia de Meruge, com a colaboração da ADSC Vale do Cobral e o apoio da Associação dos Amigos de Meruge e da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.
